NA DÚVIDA APLIQUE CHICO

Professor Victor Ramos

 Ao chegar a terras mineiras, sendo você um orador espírita, é normal que lhe perguntem se você é chiquista ou divaldista; assim como as lendas não surgem do nada, tais denominações também não. Não nos cabe, neste texto, tratar da segunda alcunha, mas tão somente da referente a Chico Xavier. Claramente, o nosso querido médium (sim, querido) foi alguém marcante na história do Espiritismo no Brasil: seja por seu bom coração e feitos mediúnicos; seja por sua imperícia em tratar de temas de grave caráter “segundo a Doutrina” se baseando na interpretação de seu suposto guia espiritual Emannuel, como vimos no programa Pinga-Fogo e na literatura que deixou. O afã criado ao redor de Chico foi tamanho que se deu até um movimento em sua “homenagem”: o “chiquismo”, daí os “chiquistas”.

             Católico de criação, acabou levando para o Espiritismo muito da postura religiosa – afinal na religião não se questionam as “autoridades”, assim como ele não questionava muitas informações transmitidas por Emmanuel – de maneira que a Doutrina findou-se por ser denominada como mais uma religião cristã, talvez um “neoespiritualismo”; o que Kardec contradiz ainda no início de O Livro dos Espíritos – tamanha foi sua preocupação com as palavras referentes à caracterização do Espiritismo. Ao ser o porta voz mediúnico de Emmanuel e André Luiz, assim como de outros Espíritos, o médium se fez instrumento para uma desconfiguração visceral para com a Doutrina dos Espíritos no Brasil. Suas mensagens, ao que consta, não passando pelo crivo de método científico algum, porém caracterizadas pela confiança proveniente de seu impulso religioso diante dos Espíritos que com ele trabalhavam, divulgavam qualquer algo que não Espiritismo. Com isso, não atacamos ao caráter de Chico – o qual admiramos profundamente – mas, como já dito, à imperícia quanto às mensagens que lhe chagavam e eram transmitidas.

             Suas frases marcantes sobre o bem proceder diante dos desafios existenciais, seu exemplo de vida de evidente doação ao próximo e não ligada a posturas egoístas ou vaidosas, tomaram vulto e deram ao médium notoriedade ímpar quanto à sociedade dita espírita; mas vale lembrar que tal notoriedade foi promovida pelos outros, não pedida por Chico. O mineiro foi colocado num pedestal, divinizado e em torno dele certa mística foi criada, sem contar na mina de ouro que virou para a FEB, mas isso dá para ser entendido, pois é comum as sociedades projetarem em “ícones” suas sombras e ideais “divinos”, sem meios termos humanos. Dá para acreditar que o criticaram quando ele decidiu usar uma peruca?

             O problema nisso é que esse “legado” seja base para o Espiritismo no Brasil, pois não o deveria ser. Emmanuel não é a lei, tampouco Chico, assim como várias outras mensagens postas. Ai de quem diga isso, pois não se pode “atacar” esse “santo homem”: o “legado” deve ser imaculado, afinal; a Santa Inquisição de hoje tem um caráter mais brando, por sorte não há os que queimam nas fogueiras, mas certamente nas línguas e pensamentos dos “doutores da lei” ditada por Emmanuel e outros “paulino-cristãos” – desconhecedores de Yeoshu’a: o tzadik carpinteiro. E isso é mais uma prova de que Chico e suas práticas foram divinizadas e tomadas como referência por pseudoespíritias. Suas mensagens ocuparam um lugar que não o de merecido posto.

             Mais grave que o exposto acima, e o que também exemplifica esse ufanismo dos “chiquistas”, é o fato de aferirem ao médium a autoria de alguns textos referentes ao momento por que passamos; momento este denominado de “transição planetária” – e aqui fazemos menção aos divaldistas de plantão que se baseiam sobremaneira no texto de Philomeno de Miranda quanto a essa suposta “transição”.

             Tem circulado em sites e redes sociais uma mensagem de suposta autoria do Chico, mensagem esta que disponibilizaremos ao final do texto, mas que agora, no corpo textual, não utilizaremos em sua integralidade, pois tomaria do leitor um tempo que não pretendemos tomar. Caso seja de sua escolha, basta, ao final da leitura, “deleitar-se” com tal mensagem. Agora, analisaremos alguns trechos e traremos uma análise geral do texto, dentro do contexto que até então vem sendo apresentado.

             A mensagem inicia-se assim:

             “Muitos estão sendo recolhidos por não estarem prontos para uma era de fraternidade e perdão maior… Alguns precisam ir para retornar e nos ajudar na nova fase…. Estamos vivendo uma fase de limpeza… muitos desencarnes coletivos estão ocorrendo”, ou seja: se algum parente seu for vítima da pandemia – a qual foi de responsabilidade humana, prova de seu desmerecimento com a vida, em algumas regiões – é provável que não esteja “à altura” do “novo mundo”. É possível que por hora não tenhamos que lidar com a perda, mas também com uma suposta “vergonha” por termos tido em nosso grupo familiar alguém não digno de viver num mundo melhor, pois não se fazia capaz.

             Não iremos dispor muito espaço no texto para tratar de tal tópico, mas muitos se foram decorrente de o valor humano ser, ainda, medido por cifrões. Como se disse, e ainda se diz: “Não podemos parar”. Então medidas de segurança foram violadas, pessoas expostas, grupos sociais sem preparo para lidar com um vírus novo e alguém ainda vem dizer que isso é efeito de uma suposta “transição planetária”? A mudança acontece dia a dia. O delírio não para por aí:

             “Muitos estão tendo dores de cabeça, dores nas costas, estão sensíveis ‘choro fácil’, se sentindo deslocados e até com insônia… mas… com tudo isso, sentem que tem algo bom chegando…

Essas pessoas estão sensíveis porque de certa forma fazem parte desta nova fase na Terra…”. É de se acreditar que um folclore está sendo feito. É normal as pessoas se sentirem mais sensíveis porque o mundo está comovido por mortes diárias e outras mazelas decorrentes da pandemia. Quanto a parte do “algo bom chegando”, bem … muitos foram estimulados a negar a realidade por acreditar que “tudo vai ficar bem”, como uma espécie de recompensa por uma vida ou período de sofrimentos – assim como cristãos que se martirizam acreditando assim alcançarem o tão falado Paraíso. Afinal “Bem aventurados os aflitos”, não é?

             Por fim a mensagem nos pede que nos preservemos de programas de fofoca ou jornais que nos mostrem tragédias:

“Não assistam programas de fofoca, jornais que mostram tragédias…

Se afastem de qualquer sentimento contrário ao amor fraterno…

Vibrem pela chegada da Nova Era e sejam gratos por estar aqui… é merecimento!”

             É como se nada mais importasse a não ser o “amor” (quem aprendeu o que é isso levanta a mão!) fraterno, pois a Nova Era está para chegar. Até parece que é mais um messias que chega, não parece? Melhor. É como se o povo tivesse apenas trocado “messias” por “Era”, e aqui estamos nós esperando algo externo acontecer quando o que deve mudar, segundo a Doutrina, é a nossa moralidade, por meio da nossa consciência diante da vida e isso trará mudanças ao espaço em que vivemos, porque os seres humanos mudaram.

             Como se isso não bastasse, a mensagem aqui analisada foi atribuída a Chico Xavier, e há aqueles que assim acreditam. A linguagem nem concorda com a que ele utilizava, a linguagem dos seus livros não era dele, mas dos Espíritos. E isso, infelizmente, nos leva a concluir que quanto a essa postura de supostos espíritas em aceitarem o que vem dos Espíritos como verdade, ah… nisso Chico tem uma mão. Talvez não tenha sido sua intenção, sobre isso não falaremos, mas afirmamos que esse foi seu exemplo, dado numa sociedade carente e mística: doente, necessitada, ainda, de um “herói”, “messias”, “Era”. Sociedade que necessita, sobretudo, de si. O uso do bom senso é sempre uma boa pedida.

“Muitos estão sendo recolhidos por não estarem prontos para uma era de fraternidade e perdão maior… Alguns precisam ir para retornar e nos ajudar na nova fase…. Estamos vivendo uma fase de limpeza… muitos desencarnes coletivos estão ocorrendo.

Muitas pessoas estão sentindo a necessidade de buscar mais a natureza e sair do stress das grandes cidades e empresas…

Muitos estão se conectando de forma muito mais forte com animais e sentindo uma vontade imensa de mais amor fraterno e praticar mais esse amor…

Muitos estão tendo dores de cabeça, dores nas costas, estão sensíveis “choro fácil”, se sentindo deslocados e até com insônia… mas… com tudo isso, sentem que tem algo bom chegando…

Essas pessoas estão sensíveis porque de certa forma fazem parte desta Nova fase na Terra…

Estamos sendo trabalhados pela espiritualidade para expansão mental, saindo dos sentimentos de terceira dimensão para irmos para quarta ou quinta dimensão, conforme a evolução de cada um…

Infelizmente muitos não irão neste momento conseguir praticar o perdão, ter conexão com a natureza com facilidade… esses irmãos, se não forem recolhidos para colônias de padrão vibracional igual ao deles, ficarão aqui em verdadeiro caos existencial, se sentindo revoltados, tristes e etc… esses irmãos se ficarem ou partirem, terão a misericórdia divina sempre para buscarem luz e amor, porém somente quem se permitir a prática da gratidão, amor fraternal e perdão… poderá receber as graças da nova era.

Aos observarem tragédias, orem, vibrem por todos… mas, jamais se esqueçam que mesmo doendo, jamais cairá uma folha sem que Deus permita…

De todo coração, vibrem diariamente por luz, amor e perdão.

Evitem estar com pessoas de pensamentos negativos.

Não assistam programas de fofoca, jornais que mostram tragédias…

Se afastem de qualquer sentimento contrário ao amor fraterno…

Vibrem pela chegada da Nova Era e sejam gratos por estar aqui… é merecimento! “

(Gaia – A Transição Planetária já está ocorrendo)

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