O Espiritismo como ciência de observação: um caso verídico.

Nelson M M Cardoso

VOCÊ JÁ OUVIU FALAR DE PESSOAS QUE NOS MOMENTOS FINAIS DE SUAS VIDAS VÊEM ENTES QUERIDOS QUE JÁ MORRERAM VINDO BUSCÁ-LAS?

O texto abaixo foi extraído do livro: “Fenômenos Psíquicos no Momento da Morte” de Ernesto Bozanno. É um livro onde o autor descreve de forma natural os momentos que antecedem o encontro com a morte.

LEIA O TEXTO COM TEMPO DISPONÍVEL E COM CALMA para ir até o fim pois ele é longo mas o caso aconteceu de verdade!

Tire as suas conclusões pois tem muita coisa nele a se pensar e nos ajudar pacificando os excessivos temores sobre a inevitável morte: não a desejando ou precipitando a sua vinda, mas aceitando-a com mais tranquilidade!

ATENÇÃO: NÃO É UMA PSICOGRAFIA!

É PARTE DE UM ESTUDO FEITO PELO AUTOR DO LIVRO RETIRADO DE FATO OCORRIDO E NARRADO POR PESSOAS E NÃO POR ESPÍRITOS!

” Caso 24 – Foi tomado do Journal of the american S. P. R. (1919, p. 375-391).

É a história comovente de uma menina doente que, em seus três últimos dias de vida, vê o irmãozinho falecido e outras entidades espirituais, e conversa com eles, do mesmo passo que percebe visões fugitivas do Além. Infelizmente, a narrativa ocupa dezessete páginas do Journal. Dever-me-ei, pois, limitar a algumas citações. O pai da menina era o reverendo David Anderson Dryden, missionário da Igreja Metodista; foi sua mulher quem guardou o que disse a criança no curso de seus últimos dias de vida.

Por morte da senhora, as notas tomadas por ela foram publicadas numa brochura, a fim de que pudessem levar o conforto a alguma alma duvidosa e sofredora.

A criança chamava-se Daisy; nascera em Marysville (Califórnia), a 9 de setembro de 1854; morreu em S. José da Califórnia, a 8 de outubro de 1864. Tinha, pois, 10 anos de idade. O reverendo F. L. Riggings, na Introdução da referida brochura, observa: O que é muito notável no caso de Daisy é a duração inabitual e, portanto, a lucidez extraordinária de suas visões e revelações. Ela teve tempo de familiarizar-se com as maravilhas que via e ouvia. Tendo caído doente com febre tísica, teve o pressentimento de seu fim, apesar do prognóstico favorável de seus médicos.

O Grito, quadro de Edvard Munch (1863-1944).

Três dias antes de sua morte tornou-se clarividente. Os que com ela conviviam notaram-no pela primeira vez, depois de uma citação da Bíblia, feita por seu pai; esta citação levou a enferma a observar que “ela esperava voltar algumas vezes para os consolar”. — Pedirei a Alie, se for possível — acrescentou. Alie era seu irmãozinho, morto 7 meses antes, de escarlatina. Depois de algum tempo disse mais: — Alie declarou que é possível e que eu poderei vir algumas vezes, mas que vocês não saberão que estou presente; poderei, no entanto, conversar com os seus pensamentos. Extraio esta passagem das notas tomadas pela mãe:

Dois dias antes de Daisy nos deixar, o diretor da escola veio visitá-la. Ela lhe falou desembaraçadamente de sua próxima partida e enviou um extremo adeus a suas companheiras. Antes de se ir embora, o diretor dirigiu à doente uma frase bíblica um tanto obscura: — Minha boa Daisy, estás próxima a atravessar o grande rio tenebroso. Quando o diretor partiu, a menina perguntou ao pai o que queria ele dizer pelas palavras “o grande rio tenebroso”. O pai procurou dar-lhe a significação; ela, porém, explicou: — Que erro! Não há rio a passar a vau; nada de cortinas de separação; não há mesmo linha de distinção entre esta vida e a outra. Estendeu sua mãozinha por fora das roupas, dizendo com um sinal apropriado: — O Além é o Aquém; eu sei bem que é assim, porque eu vejo a vocês ao mesmo tempo em que vejo os Espíritos.

Pedimos que nos informasse sobre o Além; ela observou, então: — Não posso descrevê-lo; é muito diferente do nosso mundo e eu não chegarei a fazer-me compreender. Enquanto eu estava sentada ao lado de sua cama, ela apertava minhas mãos e, encarando em mim, me disse: — Querida mamãe, eu queria que pudesses ver Alie, que se acha perto de ti. Olhei em torno de mim, instintivamente, e Daisy continuou: — Ele diz que tu não podes vê-lo porque os teus olhos espirituais estão fechados, e que eu o posso, porque o meu Espírito está ligado ao corpo por um muito fraco fio de vida.

Perguntei, então: — Ele to disse neste momento? — Sim, neste momento. Observei: — Daisy, que fazes para conversar com ele? Eu não os ouço falar e tu não moves os lábios. Ela sorriu, dizendo: — Conversamos com o pensamento. Perguntei, então: — De que forma nosso Alie te aparece. Tu o vês vestido? E ela: — Oh, não; ele não está precisamente vestido como nós; podia-se dizer que tem o corpo envolvido em alguma coisa de muito branco, o que é maravilhoso. Se tu visses como é delicado, leve, resplandecente esse manto! E como é branco! Entretanto, nele não se veem dobras nem sinal de costura, o que prova que não é uma vestimenta. Como quer que seja, vai-lhe tão bem! Seu pai citou-lhe o seguinte versículo dos salmos: — Ele está vestido de luz! — Sim, sim, é verdadeiramente assim — respondeu ela.

Daisy gostava muito que sua irmã Loulou cantasse para que ela ouvisse, sobretudo, pedaços tirados do livro dos hinos religiosos. Em certo momento, quando Loulou cantava um hino no qual se falava de anjos alados, Daisy exclamou: — Ó Loulou, não é estranho? Tínhamos sempre pensado que os anjos possuíam asas; mas é um erro, eles não a têm, absolutamente. Loulou notou: — Mas é preciso que eles a tenham para poderem voar para o céu. Ao que Daisy replicou: — Eles não voam, transportam-se. Vês tu, quando eu penso em Alie, ele o sente e vem logo. Outra vez perguntei: — Que fazes para ver os anjos? A enferma respondeu: — Eu não os vejo sempre, mas quando os percebo, é como se as paredes do quarto desaparecessem e minha visão chegasse a uma distância infinita; os Espíritos que vejo, então, são inumeráveis. Há uns que se aproximam de mim; são os que conheci em vida; os outros nunca vi.

Na manhã do dia do seu trespasse, pediu-me que lhe desse um espelho; hesitei, temendo que ficasse impressionada pelo aspecto do rosto descarnado. Mas o pai disse: — Deixe que ela contemple suas pobres feições, se o deseja. — Estendi-lhe o espelho e ela olhou muito tempo sua imagem com expressão triste, mas calma. E disse em seguida: — Meu corpo está gasto para sempre; parece a roupa velha de mamãe, presa no cabide. Ela não a veste mais e eu não tardarei a despir a minha vestimenta. Mas eu possuo um corpo espiritual que a substituirá; tenho-o, mesmo, já comigo; e com os olhos espirituais que eu vejo o mundo espiritual, se bem que meu corpo terrestre esteja ainda ligado ao Espírito.

Depositem meu corpo no túmulo, porque eu não terei mais necessidade dele; foi ele feito para a vida daqui da Terra; esta está terminada; é natural que o ponham de lado. Mas revestirei outro corpo, bem mais bonito, e semelhante ao de Alie. Mamãe, não chore; se eu vou cedo, é em meu benefício. Se eu crescesse, talvez me tivesse tornado uma mulher má, como sucede a tantas outras e só Deus sabe o que nos convém. Pediu em seguida: — Mamãe, abre-me a janela; desejo contemplar, pela última vez meu belo mundo. Antes que apareça a aurora de amanhã, não estarei mais viva. Satisfiz o seu desejo e, voltando-se para o pai, disse ela então: — Papai, levanta-me um pouco. E, sustentada pelo pai, olhou através da janela aberta, exclamando: — Adeus, meu belo céu! Adeus minhas árvores! Adeus flores! Adeus, rosazinhas gentis! Adeus, pequenas e vermelhas rosas silvestres! Adeus, adeus, meu belo mundo. — E acrescentou — Eu o amo muito ainda! E, entretanto, não desejo ficar. Nessa noite mesmo, às 8 horas e meia, olhou o pêndulo e declarou: — São 8 e meia; quando soarem 11 e meia, Alie virá buscar-me. Papai, é assim que eu queria morrer! Quando a hora chegar, eu te prevenirei.

Às 11 horas e um quarto disse: — Papai, levanta-me; Alie veio buscar-me. E, posta na posição que desejava, pediu que cantassem. Alguém lembrou: — Vamos chamar Loulou. Ao que Daisy observou: — Não; não a perturbem; ela dorme. E então, justamente no momento em que os ponteiros marcavam 11 horas e meia — a hora pressagiada para a partida —, ela estendeu os braços ao alto, dizendo: — Eu vou, Alie — e deixou de respirar. Seu pai recolocou no leito o corpozinho inanimado, balbuciando: — Nossa querida filha partiu; cessou de sofrer. Um silêncio solene reinava no quarto, mas ninguém chorava. Por que chorar? Devemos, pelo contrário, agradecer ao Pai Supremo pelos ensinos que nos aprouve dar, por intermédio de uma criança, nesses três dias consagrados à glória dos Céus.

E enquanto se contemplava a figura da pequena morta, tinha-se a impressão de que o aposento estava cheio de anjos vindos para confortar-nos. Uma paz muito doce descia sobre nossos espíritos, como se os anjos repetissem: — Ela não está aí, ela ressuscitou! O professor Hyslop entrou em contato, por correspondência, com a irmã da pequena vidente, Mme. Loulou Dryden, que confirmou a veracidade escrupulosa dos fatos expostos no jornal de sua mãe e o autorizou a reimprimi-los em sua revista. Lamento não poder reproduzir por inteiro a narrativa.

Neste episódio, além da prolongação excepcional das visões supranormais, com ausência completa de delírio até o último momento, é preciso notar a circunstância de que as observações da vidente, no mundo espiritual, concordam admiravelmente com a Doutrina Espírita — e tudo isso por intermédio de uma criança absolutamente ignorante da existência dessa doutrina.

Quem tal lhe sugeriu? Certamente que não foram os pais, por meio de transmissão de pensamentos, pois que eles ignoravam, tanto quanto a filha, as doutrinas espíritas que, em 1864, apenas desabrochavam. Que fazia, pois, para conceber, só, tantas verdades transcendentais, diametralmente opostas às que aprendeu com a religião paterna? Como podia, espontaneamente, formular concepções profundas, tais como as implicadas na afirmativa que o Além e o Aquém? Que não há linha de demarcação entre a morada dos homens e a dos Espíritos? Que estes últimos conversam entre si pelo pensamento? Que percebem o pensamento telepaticamente, que os vivos se voltam para eles e eles acodem logo, sem limite de distância? Que os Espíritos não voam, mas se transportam? Que os defuntos retornam para ver as pessoas que amam, mas que sua presença é geralmente ignorada, posto que conversem com o pensamento (ou subconsciência)? Que o homem possui um corpo espiritual (ou perispírito)? Que o mundo espiritual é de tal forma diferente do nosso, que não é possível descrevê-lo, porque não se chegaria a compreender.

Convenhamos francamente que, em tudo isso, as hipóteses alucinatórias, autossugestivas e telepáticas nada têm que fazer. Segue-se que as visões da pequena Daisy não podem ser explicadas senão admitindo que a vidente formulava suas observações sobre a base de dados possuindo certa objetividade e que transmitia as explicações que lhe eram comunicadas por um terceiro, conforme, aliás, o que afirmava. Sobre este assunto parecem bastante curiosos os esforços de dialética do reverendo Higgings, para distinguir os fenômenos produzidos no leito da pequena Daisy Dryden, dos do Moderno Espiritualismo, a fim de provar que somente os primeiros são conformes aos ensinamentos da Sagrada Escritura, e que, portanto, devem somente eles ser encarados como revelação divina.

Nota o reverendo: A criança não era de nenhum modo médium espírita, como o não eram Moisés ou São João, que também ditaram Livros de Revelações. Nenhum Espírito tomou posse de seu corpo, um único instante, nem falou por sua boca. Ao contrário, graças a uma concessão de Deus, os sentidos espirituais foram-lhe abertos a fim de que, nos últimos dias de sua existência, pudesse gozar o espetáculo do mundo espiritual, sem deixar de estar ligada ao corpo; prova-o o fato, notado já pelo doutor, de que ela levou três dias para morrer. Inútil fazer notar que as observações do reverendo Higgings apenas provam que são muito vagos os conhecimentos que tem da doutrina que combatia.

A verdade é bem esta: se eliminarmos a hipótese alucinatória, as visões da pequena Daisy aparecem nítida e classicamente espíritas” . (BOZZANO, 1928).

Bibliografia: Fenômenos Psíquicos no Momento da Morte – Ernesto Bozzano (FEB editora).

2 comentários em “O Espiritismo como ciência de observação: um caso verídico.

  1. LairAmaro Professor , Doutor em História, fez um comentário que, com a sua autorização, reproduzo agora, com a finalidade de gerar uma saudável discusão. Todos os comentários advindos, portanto, são bem vindos! Vamos lá: “O relato é, sem dúvida, interessante. Mas ficou faltando rigor científico nele. Nenhum pesquisador acompanhou a situação. Tudo ficou na dependência das descrições feitas pela mãe da menina. Nesse caso, convém considerar: as emoções da mãe, a sua bagagem cultural e a fé que ela professava,
    tudo isso interferiu na percepção dela sobre o que a filha vivenciava.
    O pai mostra saber que existia o espiritismo.
    Ele pode ter lido algo ou falado a respeito em casa ou na igreja. A menina ouviu e seu relato pode refletir essa confusão”. Faremos uma réplica, buscando o melhor entendimento do caso narrado. Lembremos que nenhum de nós é o dono da verdade, mas a procuramos com sinceridade e honestidade. Grato ao Doutor Lair!

    Curtir

  2. Não vejo o pai sabendo sobre o espiritismo, até pq ele era um reverendo de uma Igreja Metodista, geralmente eles não acreditam em espírito falando com as pessoas, realmente na época seria difícil ter uma avaliação de pessoas apropriadas pq eram situações q antecedência a morte, o tempo q acontecia era pouco, teria q ter várias pessoas disponíveis e locomoção rápidas, mais os relatos parece ser muitos detalhados para uma criança de 10 anos e com pouca vivência !!!

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.