DEUS FAZ MILAGRES?

Por: Nelson Murilo Madeira Cardoso

 Segundo o dicionário on-line de português, a palavra milagre significa: “Acontecimento extraordinário, incomum ou formidável que não pode ser explicado pelas leis naturais”.

             Perguntando aos Espíritos o que seria lei natural, Kardec obteve a seguinte resposta: “A lei natural é a lei de Deus, e a única verdadeira para a felicidade do homem. Ela lhe indica o que deve fazer e o que não deve fazer, e ele não é infeliz senão quando se afasta dela” (O LIVRO DOS ESPÍRITOS, questão 614). Complementando as características da lei natural, nas questões seguintes, 615 e 616 respectivamente, os Espíritos disseram: “Ela é eterna e imutável quanto o próprio Deus” e que “Deus não pode se enganar. Os homens é que são obrigados a mudar suas leis, porque são imperfeitas. As leis de Deus são perfeitas. A harmonia que rege o universo material e o universo moral está fundada sobre as leis que Deus estabeleceu para toda a eternidade”.

             Devemos, pois, para analisar a pergunta-título deste artigo, compreender os atributos da divindade. Quanto a isso, analisemos a questão 13 de O Livro dos Espíritos, feita por Kardec, e sua resposta: “Quando dizemos que Deus é eterno, infinito, imutável, único, todo-poderoso, soberanamente justo e bom, não temos uma ideia completa dos seus atributos? – “Do vosso ponto de vista sim, porque credes tudo abraçar”. […] “Por estar acima de todas as coisas, Deus não deve suportar nenhuma vicissitude e não ter nenhuma das imperfeições que a imaginação pode conceber”.

             Percebemos que os milagres, segundo definição encontrada no primeiro parágrafo, são tidos como acontecimentos inexplicáveis pelas leis naturais. Kardec, quanto a essa questão, propõe, através de indagações à luz da razão e do bom senso, a incoerência que pode haver entre DEUS e a realização de MILAGRES; ao acompanhar o seu raciocínio podemos entender claramente isto: “Quanto aos milagres propriamente ditos, nada sendo impossível a Deus, sem dúvida ele os pode fazer; e os faz? Em outros termos: derroga as leis que estabeleceu? Não cabe ao homem prejulgar os atos da Divindade e subordiná-los à fraqueza do seu entendimento; entretanto, temos como critério de nosso julgamento, com respeito às coisas divinas, os atributos do próprio Deus. Ao soberano poder alia a soberana sabedoria, de onde é preciso concluir que ele nada faz de inútil.

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Por que, pois, faria milagres? Para atestar o seu poder, diz-se; mas o poder de Deus não se manifesta, de maneira bem mais impressionante, pelo conjunto grandioso das obras da criação, pela sabedoria previdente que preside às suas partes mais íntimas como as maiores, e pela harmonia das leis que regem o Universo, do que por algumas pequenas e pueris derrogações que todos os predigitadores sabem imitar? Que se diria de um sábio mecânico que, para provar a sua habilidade, desarranjasse o relógio que construísse, obra prima da ciência, afim de mostrar que desfaz o que fez? Seu saber, ao contrário, não ressalta mais da regularidade e da precisão do movimento?” (A GÊNESE, cap. 13, item 15).

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             Os milagres, propriamente ditos, diz Kardec, não são da alçada do Espiritismo, porém apoiando-se no raciocínio de que Deus nada faz de inútil, encontramos no Espiritismo uma concepção formada a esse respeito: “Os milagres não sendo necessários à glorificação de Deus, nada, no Universo, se desvia das leis gerais. Deus não faz milagres, porque sendo as suas leis perfeitas, não tem necessidade de derroga-las. Se há fatos que não compreendemos, é porque nos faltam ainda os conhecimentos necessários” (A GÊNESE, cap. 13, item 15).

             Ainda há outra afirmação curiosa a respeito dos milagres: a existência de um poder paralelo atuando por fora das leis naturais, porém com a mesma capacidade de agir sobre o Universo. Esse poder paralelo é apregoado pela Igreja, que “distingue os bons milagres, que vêm de Deus, dos maus milagres que vêm de Satanás; mas, como diferenciá-los? Que um milagre seja satânico ou divino, isso não seria menos uma derrogação às leis que emanam só de Deus; se um indivíduo é curado, supostamente por milagre, que isso seja pelo fato de Deus ou de Satanás, ele não é menos curado. É necessário ter uma ideia bem pobre da inteligência humana para esperar que semelhantes doutrinas possam ser aceitas em nossos dias” (A GÊNESE, cap. 13, item 15).

             É no Novo Testamento da Bíblia cristã que encontramos a mesma afirmação que foi dogmatizada pelas igrejas, ironicamente dita pelos escribas contra os ditos milagres de Jesus: “E os escribas que haviam descido de Jerusalém diziam: ‘Está possuído por Beelzebu’ e também ‘É pelo príncipe dos demônios que expulsa os demônios’. Chamando para junto de si, (Jesus) falou-lhes por parábolas: ‘Como pode Satanás expulsar Satanás? Se um reino se dividir contra si mesmo, tal reino não poderá subsistir. E se uma casa se dividir contra si mesma, tal casa não poderá se manter. Ora, se Satanás se atira contra si próprio e se divide, não poderá subsistir mas acabará’” (MARCOS 3, 22-26).

             Concluindo, voltemos a citar Kardec: “Os livros sagrados estão cheios de fatos deste gênero, qualificados de sobrenaturais; mas como são encontrados análogos, e mais maravilhosos ainda, em todas as religiões pagãs da antiguidade, se a verdade de uma religião dependesse do número e da natureza destes fatos, não se saberia muito aquela que devesse prevalecer” (A GÊNESE, cap. 13, item 15, grifos nossos). Lembrando que os feitos chamados milagres só poderão subsistir após o Espiritismo, onde houver a predominância da crença infantil sobre o uso do mínimo de raciocínio.

BIBLIOGRAFIA: O LIVRO DOS ESPÍRITOS, Allan Kardec.

                            A GÊNESE, Allan Kardec.

                             A BÍBLIA DE JERUSALÉM, Evangelho de Marcos.

O DIA DO ESPIRITISMO

18 de abril de 1857 é considerado o dia do Espiritismo, pois nesta data foi lançada a primeira obra de Allan Kardec: O LIVRO DOS ESPÍRITOS – “Contendo os princípios da Doutrina Espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e suas relações com os homens, das leis morais, a vida presente, a vida futura e o futuro da Humanidade segundo o ensinamento dado pelos Espíritos superiores com a ajuda de diversos médiuns”.

Compilados e ordenados por ALLAN KARDEC.

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