O LIVRO DOS ESPÍRITOS – A INTRODUÇÃO DO ESPIRITISMO

Nelson Murilo Madeira Cardoso

 Há 163 anos saiu da Tipografia de Beau a primeira edição de O Livro dos Espíritos, contendo os princípios da Doutrina Espírita, compilado e ordenado por Allan Kardec. Na Introdução do livro, Kardec apresentou a base de seus estudos e observações dos fenômenos que até então eram vistos como sobrenaturais ou miraculosos, revelando que tais fenômenos pertenciam às leis naturais que regem todo o Universo. Em nosso artigo, todos os textos citados foram retirados de O Livro dos Espíritos.

             O lançamento desta obra marcou o surgimento da Doutrina Espírita ou Espiritismo – “uma palavra nova para coisas novas” servindo para distinguir a palavra espiritualismo que designa o oposto do materialismo, pois define quem acredita existir em si outra coisa que a matéria, ou seja, aquele que é espiritualista. Já a existência dos Espíritos e as suas comunicações com o mundo visível necessitavam de uma palavra específica, o que fez Kardec criar o Espiritismo para o qual aqueles que creem nessa existência e interação são chamados espíritas ou espiritistas.

             Diante de muitas revelações contidas neste livro, mesmo em um século de tantos avanços científicos nas questões das leis que regem a matéria, não teria como essas revelações passarem sem embates pela sociedade culta da época. Sobre esse embate, disse Kardec: “As ciências vulgares repousam sobre as propriedades da matéria que se pode manipular e experimentar à vontade; os fenômenos espíritas repousam sobre a ação de inteligências que têm a sua própria vontade e nos provam a cada instante que elas não estão à disposição dos nossos caprichos. As observações, portanto, não podem ser feitas da mesma maneira. Elas requerem condições especiais e um outro ponto de partida; querer submetê-las aos nossos processos ordinários de investigação, é estabelecer analogias que não existem

             Mesmo nas pesquisas que levaram a novas descobertas de leis da física e da química no século XIX, havia muita resistência entre os próprios membros das academias científicas, onde por diversas ocasiões mostravam o escárnio e o sarcasmo por ideias que não compreendiam. Sobre esse fato, Kardec disse: “O homem que considera a sua razão infalível está bem perto do erro; mesmo os que têm as ideias mais falsas se apoiam sobre a sua razão e é em virtude disso que rejeitam tudo o que parece impossível. Os que outrora repeliram as admiráveis descobertas de que a Humanidade se honra, faziam todo apelo a esse julgamento para as rejeitar”.

             Como homem de ciência e pedagogo, Kardec analisou cada ponto das críticas recebidas esmiuçando-as em detalhes e esclarecendo-as com explicações bem colocadas, incluindo entre esses críticos os que estavam de má intensão e outra classe de opositores: a das poderosas autoridades sacerdotais que foram certamente as mais iradas inimigas do Espiritismo, pois não desejavam buscar o uso da razão nem do bom senso em suas críticas; mas sim a força irracional para a manutenção de crenças religiosas envolvendo dogmas milenares que mantinham as pessoas acorrentadas em suas instituições.

             Diante de tantos desafios, ainda havia a preocupação de Kardec em manter o Espiritismo dentro de um controle analítico dos ensinamentos dos Espíritos com a intensão de evitar a mistificação nas comunicações vindas dos Espíritos. Ele sempre clamou pelo estudo cuidadoso, lembrando-nos que “Os Espíritos sendo muito diferentes, uns dos outros, sob o ponto de vista do conhecimento e da moralidade, é evidente que a mesma questão pode ser resolvida num sentido oposto, segundo a posição que eles ocupam, absolutamente como se ela fosse colocada, entre os homens, alternativamente a um sábio, a um ignorante ou a um mau gracejador. O ponto essencial, já o dissemos, é saber a quem é dirigida.

Mas, acrescenta-se, como ocorre que os Espíritos, reconhecidos por seres superiores, não estejam sempre de acordo? Diremos, primeiro, que independentemente da causa que assinalamos, há outras que podem exercer uma certa influência sobre a natureza das respostas, abstração feita da qualidade dos Espíritos.

Este é um ponto capital, cujo estudo dará a explicação; por isso, dizemos que esses estudos requerem uma atenção firme, uma observação profunda e sobretudo, como de resto em todas as ciências humanas, continuidade e perseverança. São precisos anos para fazer um médico medíocre, e os três quartos da vida para fazer um sábio, e se quer em algumas horas, adquirir a ciência do Infinito. Portanto, não nos enganemos: o estudo do Espiritismo é imenso, toca em todas as questões da metafísica e da ordem social, e é todo um mundo que se abre diante de nós”. (Grifos nossos).

             Encontramos, aos cento e sessenta e três anos da Doutrina Espírita, uma jovem ferida, em estado de coma pelas perversidades feitas a ela. Está agora em tratamento intensivo e como a sua essência ainda vive, temos certeza que devido a sua forte estrutura filosófica e moral estará em breve pronta para continuar o seu caminho pela elevação da humanidade! Estamos cuidando dela com o respeito que Allan Kardec merece.

BIBLIOGRAFIA:

O LIVRO DOS ESPÌRITOS, 182ª edição do Instituto de Difusão Espírita, 21ª reimpressão, abril de 2012.


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