A ESSÊNCIA DO ESPIRITISMO

“AS ALMAS QUE SE MANIFESTAM, REVELAM SUAS ALEGRIAS E SEUS SOFRIMENTOS SEGUNDO A MANEIRA QUE EMPREGARAM A VIDA TERRESTRE; DISSO RESULTA A PROVA DAS PENAS E DAS RECOMPENSAS FUTURAS”. (KARDEC, 1859, p.119).

Nelson M.M.Cardoso

Allan Kardec teve o cuidado de evitar que as revelações dos Espíritos fossem tomadas como verdades absolutas e nos alertou: “Uma ideia quase geral entre as pessoas que não conhecem o Espiritismo é crer que os Espíritos, somente porque estão livres da matéria, tudo devem saber e possuírem a soberana sabedoria. Aí está um erro grave. Os Espíritos não sendo senão as almas dos homens, não adquirem a perfeição deixando seu invólucro terrestre” (KARDEC, 1859, p. 173). Ele mostra o sentido universal da doutrina ao afirmar: “O objetivo essencial do Espiritismo é o adiantamento dos homens. Não é necessário procurar senão o que pode ajudar ao progresso moral e intelectual”. (KARDEC, 1859, p. 163).

Além do cuidado que devemos ter ao estudar as mensagens dos Espíritos, precisamos situar o tempo e o ambiente em que viveu Kardec: uma época de grande progresso material, mas ainda fincando os homens nas crenças milenares do dogmatismo religioso. O cristianismo ainda exercia um forte controle na sociedade, sendo uma instituição oficial do poder público. Deste poder intimidador, Kardec recebeu duras críticas e até ameaças, que só poderiam ser justificadas pelo risco que o Espiritismo oferecia ao confrontar os dogmas milenares e intocáveis da Igreja. Sobre este assunto, Kardec esclarece que: “Como crença nos Espíritos, é igualmente de todas as religiões, do mesmo modo que é de todos os povos, uma vez que, por toda parte que haja homens, há almas ou Espíritos, que as manifestações são de todos os tempos, e que o relato se encontra em todas as religiões sem exceções. Pode-se, pois, ser católico, grego ou romano, protestante, judeu ou muçulmano, e crer nas manifestações dos Espíritos, e, por consequência, ser Espírita; a prova é que o Espiritismo tem adeptos em todas as seitas”. (KARDEC, 1859, p. 155/156 – Grifo nosso). Podemos acrescentar que também se pode não ser adepto de nenhuma seita.

Porém, mesmo na visão estritamente moral e intelectual para a humanidade que sempre objetivou o Espiritismo, a ascendência dos dogmas cristãos, sobre o trabalho de compilação e análise das respostas dadas pelos espíritos à Kardec, exerceram neles uma grande influência que por vezes deixavam a razão e o bom senso sucumbir às suas raízes cristãs. Na obra “O Evangelho Segundo o Espiritismo” esta influência se revelou intensa nos textos assinados por membros do cristianismo quando encarnados em diversos níveis hierárquicos, incluindo fundadores do cristianismo e outros com vínculos mais recentes de suas últimas encarnações. Sacerdotes em diversos escalões e outros nomes notáveis fizeram, com os seus textos um falso elo entre o Espiritismo e o Cristianismo; o que foi prontamente assimilado pelos que assim não o queriam, e até hoje não querem ver o Espiritismo independente, como uma doutrina de filosofia moral e intelectual. Caminhando a favor desse equívoco histórico de Kardec, que não deve desacreditar toda a obra, os estudos científicos que surgiram de forma explícita revelando o Jesus histórico, fora da religião cristã e desassociado do mito Cristo, ocorreram tempos depois, no século XX.

Por outro lado, verificamos que os homens podem se equivocar por diversos motivos e lemos uma importante citação feita por Kardec na obra O Evangelho Segundo o Espiritismo, na Introdução II: “Se a Doutrina Espírita fosse de concepção puramente humana, não ofereceria por penhor senão as luzes daquele que a houvesse concebido (KARDEC, 1864). Verificamos, portanto, que tanto Allan Kardec quanto os Espíritos da codificação foram susceptíveis de erros e que nunca existirão donos da verdade absoluta

No entanto, com o seu olhar no futuro do Espiritismo, deixou-nos esta brilhante reflexão:

Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrarem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificará nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará.” (KARDEC, 1868, p. 27 – Grifo nosso).

Retomemos este caminho e o Espiritismo será novamente entendido na sua essência transformadora para a humanidade.

BIBLIOGRAFIA: O que é o Espiritismo – Allan Kardec

O evangelho segundo o Espiritismo – Allan Kardec

A Gênese (cap. I, item 55) – Allan Kardec

Um comentário em “A ESSÊNCIA DO ESPIRITISMO

  1. Será que um dia as pessoas vão conseguir separar o espiritismo da religião?? Será que eles vc continua a afirmar que é uma nova religião?? Estamos precisando conhecer a nós mesmo para saber que se conhecemos a filosofia e a ciência não precisaremos de religião!!!

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