Estudar o espiritismo é o óbvio!

Victor Ramos

O estudo do espiritismo, segundo já nos assegurou Kardec em suas obras, exige tempo e seriedade, afinal não há como estudar a ciência do infinito (KARDEC, 1864) como se faz um curso à distância ou fazendo, apenas, o download das obras básicas e acreditar que tudo será aprendido por osmose; além disso, não há como estudar a doutrina devidamente apenas frequentando as palestras públicas e os grupos de estudos de centros espíritas que mais focam na opinião de Espíritos específicos que no pensamento de Kardec. A doutrina (e não religião) espírita, como é de conhecimento geral, é formada, dentre tanto, pelos seguintes livros básicos, e em ordem: O livro dos Espíritos (1857), O que é o Espiritismo (1859), O livro dos médiuns (1861), Viagem espírita em 1862 (1862), O evangelho segundo o espiritismo (1864), O céu e o inferno (1865), A gênese (1868) e a Revista Espírita (publicação mensal de 1858 à 1869). Poucos são os “prosélitos” que se aventuraram a estudar tais obras, mas os adeptos as estudam sem a pressa que o mundo às vezes exige, nem com a superficialidade de que alguns Espíritos levianos são imbuídos: estudam com o propósito de analisar criticamente cada informação e analisar a consistência dessas informações a fim de aderirem ou não o que ali está escrito. Afinal, já nos deixou claro Kardec que o espiritismo é uma ciência de livre pensadores, não uma religião cristã na qual – como em várias – uma autoridade fala e outros escutam e aceitam. Não há heróis nem autoridade no espiritismo, apenas a razão e o juízo divino.

Ao nos debruçarmos sobre a introdução da obra: O livro dos Espíritos, é comum nos depararmos com informações elementares que, por vezes, fogem à percepção dos aventureiros de plantão ou daqueles que sequer leem tais instruções essenciais – vão direto para a pergunta primeira e seguem o bonde dos desinformados. Espíritos não são invenções ou propriedades da doutrina, afinal eles existem de toda a eternidade e se comunicam com o Homem antes mesmo de Kardec dar seu primeiro suspiro de vida encarnada. O que o espiritismo nos propõe é uma maneira devida de lidar com esta interação permanente entre nós (Espíritos encarnados) e os Espíritos (os desencarnados). Além disso, nem todo aquele que acredita em Espíritos é espírita, mas sobretudo espiritualista, sendo esta denominação referente à crença que algo sobrevive ao corpo (KARDEC, 1857). Nas palavras do codificador, temos que: “Quem quer que acredite haver em si alguma coisa mais do que matéria, é espiritualista. Não se segue daí, porém, que creia na existência dos Espíritos ou em suas comunicações com o mundo visível.” (1857). Analisemos que só essas três informações já bastam para separar várias pessoas que se dizem espíritas por simplesmente acreditarem em Espíritos ou porque já leram O livro dos Espíritos e hoje estudam as obras de Espíritos específicos ou frequentam as palestras públicas com afinco, e ainda tomam passe. Eis uma boa descrição de simpatizantes da doutrina – e talvez eles nem saibam.

Outro pronto, também trazido na Introdução de O livro dos Espíritos, é sobre a palavra alma. Muitos acreditam que a alma é consequência do corpo, que ela só existe porque o corpo existe, mas não: a alma, segundo o espiritismo, é princípio inteligente independente do corpo ao qual sobrevive e no qual habita enquanto neste existe vida. Se você está familiarizado com a definição de Espírito vai associar ambas as definições, pois Espíritos é o “princípio inteligente do Universo” (KARDEC, 1857) com as propriedades idênticas da alma. Cabe, assim, a pergunta: alma e Espírito são a mesma coisa? Sim, apenas por questão de nomenclatura, Kardec decidiu mais didático nomear alma ao Espírito encarnado e de Espírito o ser inteligente desligado da matéria. Ambas as informações parecem triviais, mas não o são, ainda que elementares já mostram a linha dos estudantes sérios e atentos dos que apenas vislumbram alguns aspectos do espiritismo e se julgam espíritas.

Segundo vemos em O evangelho segundo o espiritismo, no capítulo XVII, Sede Perfeitos, “Aquele que pode ser, com razão, qualificado de espírita verdadeiro e sincero, se acha em grau superior de adiantamento moral. O Espírito, que nele domina de modo mais completo a matéria, dá-lhe uma percepção mais clara do futuro; os princípios da Doutrina lhe fazem vibrar fibras que nos outros se conservam inertes […]. Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más.”, vale, também complementar a esta assertiva já clara: por meio do conhecimento dos princípios do espiritismo, os quais conduzem o ser humano a crescer quanto à capacidade de amar por ter maior consciência de si, do outro, de Deus. Da vida. Não basta ser uma boa pessoa para ser espírita, muitas boas pessoas dizem que espiritismo é religião e que o umbral é um lugar físico localizado acima do Rio de Janeiro. O espiritismo exige estudo sério e tempo de amadurecimento. Suas bases não estão descritas em apenas trechos do evangelho ou deste ou aquele capítulo de O livro dos espíritos. É necessário conhecimento, estudo, dedicação, e isso acarretará, muito naturalmente, na mudança moral do indivíduo, pois, aderindo à causa, entenderá que mais vale amar, de modo consciente, que tentar fazê-lo por medo de ir para este ou aquele lugar.

Aproveitando que estamos falando da obra O evangelho segundo o espiritismo, traremos, para fim do texto, uma frase muito famosa na boca de vários, de autoria do Espírito de Verdade, mas certamente compreendida por poucos, vivenciada, talvez, por menos ainda: “Espíritas!, amai-vos, eis o primeiro ensinamento. Instruí-vos, eis o segundo”.

BIBLIOGRAFIA:

O LIVRO DOS ESPÍRITOS – KARDEC, A. 1857

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO – KARDEC, A. 1864

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