A fusão das religiões: objetivo do Espiritismo?

Nelson
Cardoso

O que faz o homem procurar conhecer a destinação de sua existência é a base de toda religião. O sentimento inato do futuro o leva a buscar este conhecimento desde os primórdios da civilização, criando teorias diversas, compatíveis com aquele momento vivido. Hoje, o homem, mais evoluído tecnologicamente, se depara com respostas tão inconsistentes para este futuro, que subjugando-as, prefere fixar-se na vida presente.

Diz Kardec: “Todo homem experimenta a necessidade de viver, de gozar, de amar, de ser feliz. Dizei àquele que sabe que vai morrer que ele viverá ainda, que sua hora será retardada, dizei-lhe sobretudo, que será mais feliz do que nunca fora, e seu coração vai palpitar de alegria. Mas, de que serviriam essas aspirações de felicidade, se um sopro pode fazê-las desvanecerem-se?” (KARDEC,1865, p.5).

Nenhuma religião afirma em seus dogmas que nada existe após a morte; ao contrário, confirma a continuidade da existência da alma como a essência do homem. Porém ao atrelar esse futuro a condições engenhosas, restritivas a dois caminhos sem volta e de caráter estranho ao raciocínio, produz na razão o efeito da repulsa. Se a sociedade foi levada a crer nessas condições como que trazidas pelo Criador da vida, a negação desta obra engenhosa consequentemente trará a negação deste Criador.

Podemos verificar que à medida que a religião, atrelada a seus dogmas milenares, se afasta do entendimento lógico que o homem procura, mais o leva a descrer na continuação da vida após a morte nesses termos incondicionais apresentados. Sobre isto, Kardec fala: “Se a religião é impotente contra a incredulidade, é que lhe falta alguma coisa para combatê-la, de tal sorte, que, se permanecer a imobilidade, em um tempo dado ela estará infalivelmente ultrapassada. (…) Se ela diz branco e os fatos dizem negro, é preciso optar entre a evidência e a fé cega”. Kardec continua o seu pensamento da seguinte maneira: “Se a religião, apropriada a princípio aos conhecimentos limitados dos homens, houvesse sempre seguido o movimento progressivo do espírito humano, não haveria incrédulos, porque está na natureza do homem ter necessidade de crer, ele crerá se se der um alimento espiritual em harmonia com as suas necessidades intelectuais” (KARDEC, 1865, p. 6).

Na busca deste entendimento sobre o futuro da vida, o método de observação dos fatos que estão a nossa volta, encontrando uma explicação que acalme os sentidos do bom senso e incluam-na em um desdobramento natural, foi a proposta que o Espiritismo apresentou para caminhar ao lado da evolução humana; acrescentando-lhe ainda, um sentido moral e fraterno, valorizando o funcionamento sincronizado com todo o universo, onde torna cada detalhe perfeito, desde a sua criação. Kardec vai além ao concluir: “A unificação, feita no que concerne à sorte futura das almas, será o primeiro ponto de aproximação entre os diferentes cultos, um passo imenso para a tolerância religiosa primeiro, e, mais tarde, a fusão.” (KARDEC, 1865, p.6).

Bibliografia: Livro: “O CÉU E O INFERNO, de Allan Kardec.

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