AFINAL, HÁ NECESSIDADE DE SE ENCONTRAR EXPLICAÇÕES BÍBLICAS PARA O ESPIRITISMO?

Nelson M M Cardoso

Em tempos de avanço das pesquisas sobre vários temas históricos, entre eles o judaísmo e o cristianismo, (analisamos de forma resumida, neste artigo), os estudiosos modernos perceberam equívocos de interpretação dos criadores da religião cristã em relação à Bíblia Hebraica transportada para a Bíblia Cristã como o Velho Testamento. A interpretação das profecias que se referiam a acontecimentos do povo judeu, foi transformada em previsões sobre a vinda do messias salvador que surgiria séculos depois: o chamado cristo da fé. Com as descobertas arqueológicas do século XX, e os estudos comparativos entre os livros citados, os pesquisadores notaram evidências no equívoco desta interpretação posterior do cristianismo. Não haveria porque a religião cristã incorporar ao seu livro sagrado a Bíblia dos judeus, se não fosse para dar um caráter messiânico e, portanto, divino à mensagem do homem Jesus.

Entretanto para o crente não importa o alcance de tais pesquisas e mesmo o que elas venham revelar, pois este não aceita que se contrarie a sua fé; assim, estamos quase alcançando o segundo milênio desde a criação dos dogmas da igreja cristã.

Entretanto verificamos que alguns escritores espíritas analisam textos da Bíblia sob a ótica espírita com a intensão de dar mais fundamento aos princípios da doutrina dos Espíritos junto aos adeptos cristãos. Porém as comunicações com os mortos, uma das bases do Espiritismo, é condenada por todas as igrejas cristãs (a exceção da nova igreja cristã espírita), usando como justificativa a proibição dessa forma de comunicação por Deus, como determinou Moisés ao seu povo. Kardec analisa o fato, ponderando: “Tudo tinha a sua razão de ser na legislação de Moisés, porque tudo nela está previsto até os mínimos detalhes; mas a forma, assim como o fundo, estavam segundo as circunstâncias onde se encontrava. Certamente se Moisés retornasse hoje para dar um código a uma nação civilizada da Europa, não lhe daria a dos Hebreus” (KARDEC, 1865).

Parece haver uma necessidade de provar que a Bíblia não condena as revelações dos Espíritos, para que o Espiritismo seja aceito no meio cristão. Entretanto, conhecemos os pensamentos de grandes filósofos da humanidade e não encontramos, na maioria deles, a necessidade de se adequar a qualquer corrente religiosa. Será imprescindível colocar o Espiritismo na linha de credo de alguma religião para torná-lo aceito? É desejo de alguns divulgadores espíritas transformá-lo na terceira revelação, fazendo, por conseguinte, o elo religioso com Moisés, o Cristo e o consolador prometido?

CIÊNCIA POSITIVA

Os princípios da doutrina espírita foram analisados nas obras de Allan Kardec pela razão e o bom senso. O próprio Kardec falou sobre a fonte do Espiritismo: “Ele tem sua fonte nos fatos da própria Natureza, em fatos positivos, que se produzem aos nossos olhos a cada instante, mas cuja origem não se suspeitava. É, pois, resultado da observação. Numa palavra, uma ciência, a ciência das relações entre os mundos visível e invisível, ciência ainda imperfeita, mas que diariamente se completa por novos estudos e que, tende certeza, tomará posição ao lado das ciências positivas. Digo positivas porque toda ciência que repousa sobre fatos é uma ciência positiva, e não puramente especulativa. O Espiritismo nada inventou, porque não se inventa o que está na Natureza” (KARDEC, 1864).

Podemos entender a proposta filosófico moral que apresenta o Espiritismo para ser um alívio e uma esperança aos que procuram um sentido para a vida. A esse respeito, nos fala Kardec: “O Espiritismo dá mais, porque acolhe, com solicitude, todos aqueles atormentados pela incerteza dolorosa da dúvida e que não encontram, nem nas crenças nem nas filosofias vulgares, o que procuram” (KARDEC, 1865). O Espiritismo, por conseguinte, não deve procurar se adequar às convicções pessoais de crentes de qualquer seita, para tentar convencê-los utilizando neste propósito os seus próprios livros sagrados. Estando dentro das Leis Naturais que regem o Universo, o Espiritismo não prescinde de ser confirmado por qualquer livro, ou por seus profetas ou discípulos, pois o que revela é novo para o entendimento da humanidade, sendo desconhecido por todos eles, em suas épocas.

Bibliografia: O Céu e o Inferno – A Justiça Divina Segundo o Espiritismo (1865)- Allan Kardec.

Revista Espírita, novembro de 1864 – Allan Kardec.

Lembra-te de que os Espíritos Bons só dispensam assistência aos que servem a Deus com humildade e desinteresse, e que repudiam a todo aquele que busca na senda do Céu um degrau para conquistar as coisas da Terra; eles se afastam do orgulhoso e do ambicioso. O orgulho e a ambição serão sempre uma barreira erguida entre o homem e Deus. São um véu lançado sobre as claridades celestes, e Deus não pode servir-se do cego para fazer compreensível a luz.” (A missão de O Livro dos Espíritos – Polegômenos).

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