RECEBA VOCÊ EM SUA VIDA!

Nelson Murilo Madeira Cardoso

Desde as mais remotas civilizações vive o homem procurando entender o mundo com os fenômenos que o afetam. O mais difícil pareceu ser o ciclo de destruição e o recomeço em toda a natureza, inclusive na sua própria vida. A intuição é um pensamento que nos acompanha e diz que nada pode ser inexplicável; ou seja, que tudo precisa ser compreendido, partindo daí a busca por uma resposta que faça sentido. Para nós que estamos na vida material, visível, a morte não passaria de uma transição, afinal continuamos vivos na nossa parte não material. Pelo menos é o que diz a nossa intuição.

O que fez o homem criar tantas histórias para explicar a sequência da vida após a morte?  Qual a dificuldade de compreender, a ponto de provocar uma dor intensa dos que ficam por aqui, a partida de nossos amados viajantes? Onde fica a intuição que nos acompanha no pensamento?

Pelo que tentamos entender, esta imensa dor é um sentimento compreensível: a falta de comunicação com os que embarcaram na viagem de volta e como não podemos ver para onde foram; ficamos, de fato, com o corpo inerte deles que quando vivos mantivemos intensas relações.

Acompanhando a dor que sentimos diante do corpo sem vida, há uma espécie de embate inconsciente com a nossa intuição, advertindo que o ser amado continua existindo, embora fora da nossa visão atual; neste momento de sofrimento, com uma possível e suave brisa intuitiva, surge um novo fator: a fantástica capacidade humana de criar fantasias.

 Ao longo dos tempos, a lógica simples desta caminhada transcendental, que outros animais sempre tiveram de maneira natural, foi burocratizada ao ser acrescida de REGRAS a serem seguidas com o objetivo de colocar condições a chegada do viajante no outro mundo. De início eram recomendações feitas sobre o defunto ao mundo espiritual, em forma de rituais fúnebres, mas depois passou a exigir normas de conduta dos homens, na vida material. É então que surgem as religiões.

Com diversos interesses para agrupar muitas pessoas em torno das regras que as mantenham obedientes às suas causas e na ausência da possibilidade de usar a força física, como nas dominações militares, pois se trata de escolha íntima que não se traduz em desobediência visível e punível, a melhor opção foi a imposição do MEDO ao sofrimento pós-morte. Esse medo criou condições atraentes, em vida, para o sujeito escapar dos sofrimentos. Nesta doutrina, a figura de um poderoso deus, de temperamento punitivo e atento às nossas desobediências, inibe logo de início qualquer questionamento. A dúvida é sinal de rebeldia e merece punição; seguir essas regras, mais tarde conhecidas como dogmas, oferece, em contrapartida, a vida eterna de plenitude. Outro fator determinante para criar um vínculo de subjugamento foi acrescido quando a doutrina foi mais sofisticada teologicamente falando: a CULPA. Ela é determinante na criação dogmática e escatológica de Paulo de Tarso, onde Jesus Cristo morreu para salvar do pecado aqueles que nele creem, sendo para esses crentes, uma dívida eterna. Este assunto será aprofundado em um futuro post.

Está aí, portanto, a receita básica da aplicação do medo para a dominação espiritual usada em pessoas que na compreensível fragilidade de suas dores, recebem, já pronta, a solução a ser seguida: a certeza de estarem preparando para si um lugar onde desfrutarão de férias eternas e merecidas pela sua obediência. No anseio de manterem-se junto de seus amados no futuro paraíso, doutrinam os seus filhos e queridos próximos, bem como toda a sociedade como forma de caridade, deixando as regras seguirem para as gerações futuras, numa sequência proselitista e interminável.

Aqui não importa o uso da razão e do bom senso. As regras dogmáticas mexem com o que há de mais sombrio em nós: o medo. Tudo que envolve este sentimento provoca uma reação instintiva de fuga das situações que nos levam a temer represarias e que no caso da morte são incorrigíveis!

Reflita um pouco sobre o medo que pode ter-lhe conduzido até às suas crenças atuais e por insegurança, não querer rever o assunto. Procure observar para onde esta crença o(a) levou quando em algum momento o fez entender que a sua vida está concluída, somente à espera da chamada dos eleitos, nos quais você está incluído, por ter aceito algum mito como seu condutor e ao mesmo tempo, vendo que os sofrimentos de tanta gente no mundo, se deve a falta desta sua crença para poder salva-las. Imagine aqueles seres humanos que passam fome, morrem de subnutrição, e doenças já controladas no mundo, vivendo em condições intensamente sofridas, aceitarem e se converterem a uma crença para conseguir, como milagre, encerrar esse quadro de vida desumana. Seria possível?

Imagine um ser muito amado pelos seus entes, com uma doença terminal, sofrendo dores atrozes, aguardando a morte física, que desde há muito tempo em sua vida, aceitou e seguiu todos os rituais de fé de uma religião. Será que a promessa de seu Deus se daria apenas quando ele morresse? E se ele era ateu, agnóstico ou mesmo de uma religião não exclusivista, para onde ele irá? Já pensou que, em função do dogma arbitrário, seus entes queridos nunca mais o verá? Nem ele verá os seus entes? Explique isso para uma mãe ou um filho nesta situação!

Leitor(a) amigo(a), não quero levá-lo(a) ao desespero, mas ao contrário, dizer que talvez a história da salvação que lhe contaram não seja bem assim! Como poderia Deus, sendo o criador de tudo e todos os seres do universo, separar-nos de nosso amados por qualquer motivo, ainda mais por um motivo, convenhamos, no mínimo tolo? Afinal, Deus não é absolutamente justo e equânime? Você consegue perceber que a verdadeira justiça se faz presente nas consequências das nossas atitudes? Que somos os únicos responsáveis pelo estado de contentamento ou dor que nos acompanha e que ninguém, além de nós mesmos, definirá o nosso futuro, pois você o está escolhendo hoje?

Pense no que ainda pode fazer pela sua vida, não a entregue a pessoas que irão dizer o que você deve ou não fazer e veja que ao questionar qualquer coisa que as contrariem, elas irão lhe ameaçar. Provavelmente vão dizer que sem o caminho que lhe mostraram, você vai se perder, ficará sem luz, cairá no abismo que leva para o inferno, de onde jamais sairá.

Creia em você! Lembre-se que fomos criados com a  mesma capacidade de todas as criaturas do universo: a força está dentro de nós aguardando uma atitude.

Lembra do instinto que todos temos e falamos aqui, no começo? Ele é aquele pensamento de conforto, que surge nas horas mais difíceis da vida. É a prova que temos para nos sustentar e nos erguer com o próprio esforço.

Finalmente, pense em outra coisa: a autonomia que você for adquirindo, irá lhe fortalecer como um aprendizado, embora não o impeça de sofrer com as escolhas erradas; vai permitir levantar-se de novo e seguir avante! Talvez hoje você não sofra ainda mais, com as crenças que nada lhe explicam e com as promessas que nunca chegam?

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