A FÉ QUE IMPULSIONA

NELSON MURILO MADEIRA CARDOSO

A fé é sinônimo de confiança, certeza. Pela fé, muitas pessoas sustentam as suas esperanças e se confortam em momentos difíceis. A fé forma um sentimento tão particular e profundo, que deve fazer parte do respeito fraterno entre os homens.

Porém existe uma forma de fé que impede o impulsionar do ser humano na busca de sua melhora íntima e que a leve ao encontro de sua própria capacidade. Esta outra forma de fé usa o medo que penetra em sua crença íntima, construindo fantasias e mitos, fazendo essas pessoas perderem suas autoestimas, levando por fim a ficar dependente de mitos e de salvações. Então, aquela fé de coração puro é trocada por esta outra que cega, fanatiza, separa as pessoas em grupos religiosos mantendo disputas permanentes pela hegemonia da ilusória verdade.

Mas o que está contido nessa fé que impede a pessoa de usar a razão e o bom senso? Que esperança pode ter alguém cuja crença a impede de caminhar com os próprios pés para ser carregada sem sequer ter a consciência de saber para onde vai?

Não devemos tentar destruir a fé e a crença de ninguém, pelo contrário, precisamos fortalecê-la, fazendo com que a fé possa encarar os momentos em que a vida demonstre falta de sentido, de justiça ou explicação lógica. A fé sem sustentação diz: é assim pela vontade de Deus, ou seja, não faz jus à Criação perfeita, plena de sabedoria. Para muitas pessoas, acaba sobrando o caminho da desesperança e do vazio espiritual. A fé cega é desprovida de sentido e gera homens descrentes.

Os tempos mudaram, desde antigas eras onde foram escritos os livros da Bíblia. Nessas escrituras, com o passar do tempo e com o crescimento intelectual do homem, começaram a aparecer as contradições e falhas nos textos; as verdades que eram absolutas começaram a ruir. Sabe por quê? A explicação é simples: esses livros não foram escritos por mãos divinas, intocáveis, mas sim por mentes e mãos humanas, que colocaram ali as suas ideias pessoais, os seus desejos íntimos de dominação e egoísmo. Essas atitudes são naturais para o ser humano que assinou o que escreveu como sendo de um autor incontestável, o ser divino, ou ao menos dizendo-se sob a Sua Inspiração.

O homem sempre foi capaz de usar a sua inteligência para fins malévolos, mas também é capaz de trazer a luz e o conhecimento que liberta, sendo esta a essência que rege todo o universo. Assim, a cada novo tempo, as verdades que ficaram enrijecidas se quebram, os dogmas estabelecidos se desmancham diante das evidências porque precisa acompanhar o progresso da humanidade. Imagine se na Idade Média alguém ousasse falar que dentro de um grande veículo centenas de pessoas voariam confortavelmente a dezenas de quilômetros de altura, em um aparelho de ferro, muito pesado e altamente veloz, permitindo ser controlado para subir e descer com segurança. Imaginou? Por muito menos, pessoas foram torturadas e queimadas vivas nas fogueiras da inquisição. Sabe o motivo? A crença religiosa existente! Como voar se Deus não deu este atributo ao homem? Somente um ser, que não Deus, poderia ter este poder e desrespeitar a Sua lei: Satanás!

Agora volte aos nossos tempos; ou melhor, antes dê uma passadinha em 1857, quando através da publicação de O Livro do Espíritos, os próprios Espíritos, que somos nós ao morrer, trouxeram novas revelações à humanidade, devidamente verificadas por métodos de pesquisa competente por um grande estudioso: Allan Kardec. Como reagiram os homens da Igreja Cristã? Da mesma forma que seria antes: foi obra do coitado do Satanás, de novo! Sem tortura física, mas com agressões diversas. Hoje os argumentos são os mesmos, pois a fonte é a mesma, ou seja, o compendio daquela época: a Bíblia, que relata a condenação de Moisés às comunicações transcendentais. Não se discute. Ponto final!

Vamos virar esta página em definitivo e procurar conhecer os estudos feitos por homens dedicados à pesquisa, historiadores, arqueólogos, pessoas de diversas áreas, utilizando critérios científicos de comparação ou através de descobertas recentes de manuscritos, mostrando toda a inconsistência de afirmações até hoje aceitas como verdades intocáveis, constantes na Bíblia que ainda é a base irretocável da doutrina cristã.

Yehoshua Ben Youssef

Não perca a sua fé, amigo leitor, mas solidifique-a com a razão. Veja que mesmo fazendo a separação dos enxertos e das afirmações absurdas da Bíblia, sobram mensagens elevadas de conduta moral e fraterna. Perceba que ao separar as criações mitológicas postas a serviço da escravidão mental, conseguimos encontrar um homem, de nome Yehoshua, envolvido com o sofrimento de sua gente, mostrando a eles e a nós, a conduta moral como forma de avançar, a força que tem a verdadeira fé; não a fé nele, mas em nós mesmos! Acredite na sua capacidade de mudança, e siga, como a ouvir o vento que sopra persistentemente pelos séculos, ecoando ainda algumas de suas palavras: – Avante! A tua fé te salvou!

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