O relojoeiro e o relógio

VICTOR BRUNO
DEUS NA VISÃO ANTROPOMÓRFICO-CRISTÃ

Muitos acreditam, por falta de conhecimento ou investigação devida, que Deus é um senhor idoso com uma longa barba que está sentado num trono a se deleitar com os acontecimentos da vida humana, ou a se irritar com os pormenores do nosso cotidiano. Existem aqueles que creem ser Deus “alguém” bem carente que precisa de cantos e louvores intermitentes, do contrário ele mostrará sua face colérica e provavelmente, num futuro não muito distante, a julgar pelo que os noticiários nos mostram, tem dilúvio vindo por aí. Tais traços mostram que o ser humano atribui a Deus características unicamente humanas, não divinas. Existem aqueles que não acreditam na existência de Deus, já outros estão certos de que Ele é uma criação da mente humana, que apenas as moléculas foram se combinando e formando tudo – inclusive a nossa capacidade de pensar e sentir. O que o Espiritismo nos mostra a respeito?

Há um capítulo intitulado “Deus”, encontra-se em A Gênese e é formado pelos seguintes tópicos: Existência de Deus, A natureza divina, A Providência e A visão de Deus. A nossa proposta é fazer uma espécie de síntese que contenha as informações essenciais deste capítulo e que sirva, sobretudo, de estímulo para que o leitor aventure-se a buscar, no livro referido, as informações aqui expostas, e mais. De início temos que “[…] pelos efeitos é que se julga uma causa, mesmo quando ela se conserve oculta” (KARDEC, 1869, p. 47), e a partir disso depreende-se que pela obra se reconhece o artífice: todo relógio possui um relojoeiro, os automóveis, prédios e o vestibular são criações humanas, a natureza não; assim como a própria criatura humana: nunca nos saímos bem ao fazermos clones humanos, afinal.

Àquilo que não é obra do homem, atribui-se ser obra de Deus, pois “todo efeito inteligente tem uma causa inteligente” (KARDEC, 1869, p. 47). Observa-se que a natureza é regida por leis bem estruturadas as quais viabilizam o entendimento do processo que constitui o crescimento de uma flor, o nascimento de um animal, o equilíbrio ambiental etc. Não há, portanto, como negar que existe uma causa inteligente responsável e criadora disso: Deus. Saindo do âmbito restrito da natureza e pensando no universo, Deus criou o infinito, astros, galáxias e muito além do que o ser humano ainda não consegue vislumbrar. Sendo Ele, dessa forma, essa “Inteligência suprema, causa primária de todas as coisas”, como encontramos na primeira pergunta de O Livro dos Espíritos, fica fácil entender este trecho do capítulo de A Gênese, sobre a existência de Deus: “A existência de Deus é, pois, um fato comprovado não só pela revelação, como pela evidência material dos fatos” (KARDEC, 1869, p. 49).

BURACO NEGRO – NASA

Comprovada a Sua existência, o que se sabe sobre a natureza divina e seus atributos? A priori, “Não é dado ao homem sondar a natureza íntima de Deus. Para compreendê-la ainda nos falta um sentido próprio que só se adquire por meio da completa depuração do Espírito” (KARDEC, 1869, p. 49), afinal estamos tratando da perfeição, não de um velho barbudo sentado no trono… etc. Entretanto vale ressaltar que podemos conhecer os seus atributos essenciais por meio do raciocínio, os quais são: inteligência suprema e soberana, único, eterno, imutável, imaterial, onipotente, soberanamente justo e bom, infinito em suas perfeições.

FOTO TIRADA PELO TELESCÓPIO HUBBLE

Deus não poderia ser bom e mau ao mesmo tempo, pois, sendo assim, as leis funcionariam com base no seu capricho, disso não haveria estabilidade natural, mas instabilidade e personificação da divindade – porque instável somos nós, humanos, não Deus. Além do mais, sendo Ele infinito em suas perfeições, não poderiam ser, simultaneamente, infinitamente bom e mau. A partir das diversas provas de Sua sabedoria não se pode duvidar de Sua bondade, a qual está presente nas pequenas como nas grandes coisas. Deus é único porque havendo outro Deus teríamos, em algum momento, uma dualidade em vez de uma unidade e, além disso, ambos deveriam ter os mesmos infinitos atributos, do contrário, existindo a mínima diferença não haveria igualdade, mas superioridade por parte de um dos dois. Ele é eterno pois não pode ser compreendido em algum limite de tempo, não foi criado, do contrário não seria Deus, e, por fim, Deus é imutável porque não sendo assim as suas leis mudariam e não haveria equilíbrio na sua criação.

Bibliografia; A GÊNESE, de Allan Kardec

O LIVRO DOS ESPÍRITOS de Allan Kardec.

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