O QUE DEVEMOS TEMER NA HORA DA MORTE?

NELSON CARDOSO

A morte é um fato irremediável e incontestável para toda a matéria viva, incluindo, claro, a humanidade. Nenhum de nós escapará um dia de encontrá-la. Por que então se evita tanto falar sobre ela? Não temos o poder de evitá-la, embora possamos e devamos cuidar para mantermos o nosso corpo físico bem vivo e saudável. Sendo um encontro inevitável, parece lógico não somente aceitar a presença da morte em nossas vidas, mas procurar conhecer um pouco desta fatalidade. Propomos aqui, nos dirigir aos que aceitam a existência de uma essência espiritual em nós, que sobreviva à morte. Sim, pois neste artigo não iremos nos dirigir aos materialistas, aqueles que estão convictos de tudo acabar com a morte. A eles, sugerimos procurar um sentido próprio para a vida, e se a encontraram apenas na matéria, de maneira que os satisfaça, possam continuar pensando assim.

Falamos aqui aos que acreditam que a vida não termina com a morte física, mesmo que tenham entendimentos e diferentes visões sobre a continuação da vida após o desfalecimento do corpo. Afinal, o que acontece conosco durante a morte? O que virá depois? E o que parece ser o maior motivo para as pessoas fugirem do assunto: por que tipo de sofrimento iremos passar? Perderemos o contato com os nossos entes queridos, para sempre?

O medo da morte ocorre pela falta de entendimento. Tudo o que não entendemos bem, costumamos transformar em um mistério. E todo mistério leva a nossa imaginação à divagar, imaginando muitas situações; essas ideias são alimentadas pelo medo do desconhecido, normalmente desprovidas de lógica… Lógica? Mas a morte tem lógica? Claro que sim! À medida que acreditamos em uma criação perfeita, para a qual as leis são universais, imutáveis e eternas, a morte é parte integrante de um processo natural.

A morte deixa de ser um mistério quando compreendida, à medida que temos certo conhecimento a respeito desta questão conseguimos explicações que satisfaçam a nossa razão. A melhor explicação portanto, deverá vir de quem passou pela morte, desde que esteja em condições para tal. Para tanto, precisa haver uma intercomunicação entre nós e eles.

Publicado pela primeira vez, em 18 de abril de 1857

Nas respostas dadas pelos espíritos, às peguntas propostas por Kardec, podemos perceber quão naturais são os fenômenos que regem a morte. Numa sequência de respostas dadas pelos espíritos, em O Livro dos Espíritos, às questões 149, 150 e 151, temos os seguintes esclarecimentos os quais resumi em um texto sequenciado: A alma, no instante da morte, “Volta a ser Espírito, quer dizer, retorna ao mundo dos Espíritos, que deixou momentaneamente.” Quanto a sua individualidade, a alma “não a perde jamais. Que seria ela se não a conservasse?” Para que essa individualidade seja mantida, a alma sem o corpo físico, ou seja, o Espírito, “tem ainda um fluido que lhe é próprio, tomado da atmosfera de seu planeta e que representa a aparência de sua última encarnação: seu perispírito.” A alma leva consigo “Nada mais que a lembrança e o desejo de ir para um mundo melhor. Essa lembrança é cheia de doçura ou amargura, segundo o emprego que fez da vida.Quanto mais pura, mais compreende a futilidade do que deixa sobre a Terra.” (KARDEC, 1857)

Cartaz do filme “Kardec, a História Por Trás do Nome” de Wagner de Assis

Esta é uma das várias revelações que nos trouxe o Espiritismo. Com os Espíritos, que são simplesmente, os homens desencarnados, foi realizado um trabalho de pesquisa, cuja credibilidade está, em primeiro lugar, no sentido lógico e prático das perguntas, oferecendo a oportunidade de respostas esclarecedoras desses Espíritos, e que foram triadas pelo método da análise racional e do bom senso, de Allan Kardec. Revelações que até hoje ainda não conseguiram ser contestadas ou modificadas, a não ser pelos que nutrem uma crença fanática, sem utilizar o raciocino, mas crendo cegamente em dogmas criados por homens na intensão de manter os semelhantes sob seu domínio, pregando absurdos como verdades. Nesta fascinação coletiva, o mistério e o medo precisam ser mantidos, para impedir as pessoas de pensar livremente. Em segundo lugar está a própria credibilidade de Kardec, como homem respeitado pela sua vida e obras, no campo do ensino. Sem nenhuma história de crença religiosa ou de tendência ao misticismo, em sua vida Kardec conheceu os estranhos fenômenos produzidos em mesas girantes, que ocorriam em sua época; então, pelo ceticismo natural de um homem da ciência, foi conduzido a pesquisar e a analisar tais fenômenos, percebendo então, que havia uma comunicação inteligente nesses fenômenos, em que, a matéria inerte, as mesas, era apenas instrumento de comunicação do mundo invisível, e que essas comunicações tinham um propósito mais elevado, o de trazer uma mensagem de conforto, alivio e esperança à humanidade; e que unia, a partir de então, os homens que vivem em planos diferentes da vida com o objetivo de progresso e da fraternidade entre todos.

Portanto, nessas três questões que alinhamos, podemos obter as respostas às perguntas que fizemos no inicio deste artigo. É, sem dúvida, um ponto de partida para várias outras questões, que vamos formulando à medida que obtemos respostas, mas cuja base está aqui revelada. Por meio dessas primeiras questões, verificamos a presença da justiça perfeita na lei de causa e efeito, com o uso do livre arbítrio, onde somos os únicos responsáveis pelo nosso destino. Nenhuma fé ou crença, nenhuma seita ou ritual, irá nos conduzir para o céu, para o inferno, ou para o umbral ou a alguma cidade cósmica. Tudo que encontraremos na morte será o espelho da nossa própria vida, que cultivamos durante o tempo que estivemos estagiando na matéria, como almas encarnadas. A morte nos encontrará aonde estiver o nosso coração.

Terminando, cito trecho de um discurso em que Kardec, fala sobre o consolo que o Espiritismo proporciona, diz:

“Com efeito, pondo-se de lado a sua racionalidade, que filosofia é capaz de liberar o pensamento do homem dos laços terrenos, de elevar sua alma para o infinito? Qual lhe dá uma ideia mais justa, mais lógica e apoiada sobre as provas mais patentes, de sua natureza e de seu destino? Que seus adversários a substituam por algo de melhor, uma doutrina mais consoladora, que melhor se ponha de acordo com a razão, que substitua a alegria inefável de saber que os seres que nos foram caros na terra estão juntos a nós, que nos veem, nos ouvem, nos falam e nos aconselham; (…) que façam temer menos a morte; que proporcione mais calma nas provas da vida; que enfim, substitua essa doce quietude experimentada quando se pode dizer: sinto-me melhor. Ante uma doutrina que faça melhor quer tudo isso, o Espiritismo deporá as armas”. (KARDEC, 1860).

BIBLIOGRAFIA: O Livro dos Espíritos, Allan Kardec.

Revista Espírita, outubro de 1860, ED.FEB.

ATENÇÃO: Neste sábado, 02/11, daremos continuidade ao tema sobre a morte – como este fenômeno natural se processa – que os espíritas aprenderam à chamar de: “A PASSAGEM”.

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