REUNIÕES MEDIÚNICAS E DE FLUIDOTERAPIA – OS PERIGOS E O ALERTA DE KARDEC

NELSON CARDOSO

“Um desejo bem natural, entre as pessoas que se ocupam com o Espiritismo, é o de poderem entrar, elas mesmas, em comunicação com os Espíritos;” (KARDEC, 1861,Introdução).

O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, contem um estudo profundo sobre a mediunidade. É um manual de conduta para os trabalhadores, tanto médiuns, como demais participantes das reuniões mediúnicas. Vamos procurar trazer hoje, algumas instruções, que percebemos, pela nossa vivência, não estarem sendo observadas pelos tarefeiros, pois as casas espiritas não as incluem na pauta de atividades. Vamos começar por entender o que vem à ser um médium.

Kardec nos responde que “toda pessoa que sente, em algum grau qualquer, a influencia dos Espíritos, é médium”. (…) “Pode-se se dizer, pois, que todo mundo é, mais ou menos, médium. Todavia, usualmente, esta qualificação não se aplica senão àqueles nos quais a faculdade medianímica está nitidamente caracterizada, e se traduz por efeitos patentes de uma certa intensidade, o que depende, pois, de um organismo mais ou menos sensível.” (KARDEC, 1861)

Agora que já está entendido o que é médium, vamos analisar algumas de suas consequências. O conhecimento profundo desta faculdade e a sua utilização prática, requer do médium muita atenção, percebendo-se na condição de simples condutor das comunicações dos Espíritos. Kardec alerta que as reuniões de estudo “são de uma imensa utilidade para os médiuns de manifestações inteligentes, sobretudo para aqueles que tem um desejo sério de se aperfeiçoar, e que a elas não vêm com uma tola presunção de infalibilidade.” A resistência do médium em se aprimorar, pode conduzi-los à obsessão e a fascinação. “podem, pois, iludirem-se, de muito boa fé, sobre o mérito do que obtêm, e se concebe que os Espíritos enganadores tenham sua liberdade de ação quando não se ocupam senão com um cego; é por isso que afastam o seu médium de todo controle; que, se for preciso, o fazem tomar aversão por quem deseja esclarece-los; com a ajuda do isolamento e da fascinação, podem , facilmente, fazê-lo aceitar tudo o que quererem.” (KARDEC, 1861).

Essa reunião de estudos para os médiuns, deve ser constante e não apenas um curso dado antes de se instalar uma reunião mediúnica. Não deve se resumir à uma avaliação de 15 minutos apenas. Necessário se torna, nessas reuniões, anotar todos os fatos importantes ocorridos, pelo dirigente e pelos coordenadores, que será realizada em outro horário ou data. É importante o estudo de O Livro dos Médiuns, subsidiado por outras obras relevantes, como: O que é o Espiritismo, A Crise da Morte (Ernesto Bozzano), O Além e a Sobrevivência do Ser e No Invisível (Leon Denis), edições da IDE e da FEB.

A substitução desta reunião de avaliação e estudos, por uma quantidade maior de  reuniões mediúnicas e de fluidoterapia, acabam transformando a casa espírita em uma fábrica de atividades mecanizadas, onde a produção em quantidade se torna mais importante do que a qualidade, muitas vezes, na ânsia de querer atender um número maior de pessoas necessitadas. Este é um grande perigo para toda a casa espírita, pois a obsessão e a fascinação dos médiuns, quando não devidamente detectadas, permitem aos Espíritos enganadores, controlarem não somente a reunião mediúnica e a de fluidoterapia, mas todas as demais atividades da casa, envolvendo os seus membros em um processo de fascinação coletiva.

O alerta dado por kardec, seja ao médium, seja ao dirigente e aos coordenadores, fica claro ao dizer:  “É preciso imaginar cada indivíduo como cercado de um certo número de companheiros invisíveis que se identificam com seu caráter, seus gostos e suas tendências; pois toda pessoa que entra em uma reunião, conduz consigo Espíritos que lhe são simpáticos. Segundo sua natureza, esses acólitos (acompanhantes) podem exercer, sobre a assembléia e sobre as comunicações, uma influencia boa ou má.” (KARDEC, 1861, item 330). Por sua vez, os Espíritos respondem de forma categórica sobre a influencia do meio como condição para as suas presenças: Os Espíritos Superiores não vão a reuniões onde  sabem que a sua presença é inútil.” (KARDEC, 1861, item 231).

Para encerrar, reproduzo a seguinte frase, como uma boa definição para o grupo de estudo: “Um grupo voltado para os estudos dos Médiuns e da Mediunidade – A Ciência, A Filosofia e a Moral Espíritas aplicadas aos estudos e práticas no Laboratório do Mundo Invisível.” (LISZT RANGEL, 2019).

Bibliografia: O Livro dos Médiuns, Allan Kardec.               

Definição para um grupo de estudos da mediunidade,  Liszt Rangel.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.