O MODELO DE PERFEIÇÃO MORAL PARA A HUMANIDADE.

NELSON CARDOSO

O pensamento do homem quando percebeu a dificuldade de entender a vida e a intuição de sua continuação além da morte, levou à criação de diversas teorias. Cada povo, na história da humanidade, foi adequando histórias que explicavam os motivos da dor, do sofrimento e da morte, e como atingir uma felicidade plena.

A existência de uma força superior, Deus, que criou e mantem a vida, foi associada ao íntimo do ser humano com suas emoções e sentimentos. Os homens eram semelhantes às divindades, exceto na força e no poder que elas tinham. A percepção de um único Deus, não alterou muito essa compreensão. Assim, este Deus “herdou” todas as qualidades e defeitos dos deuses pagãos. A ira, o rancor, o ódio, a vingança, eram suas prerrogativas. A sua justiça dependia do fato de ser agradado.

Nesta verdadeira obra de engenharia, prevalecem os interesses pessoais que manipulam pessoas, utilizando o medo para frear qualquer tentativa de raciocínio, e as aprisionando em regras inquestionáveis.

Assim, a culpa seria a essência da humanidade, herdando o pecado original, do qual, o crente somente se livraria, aceitando e cumprindo as normas do poder divino, que por sua vez, delegou o cumprimento aos homens por ele eleitos. A submissão à tais regras, conhecidas também como dogmas, é a única opção para a pessoa não sofrer o castigo eterno, após a sua morte.

Mas a humanidade, que por milênios ainda aceita esse domínio, nunca deixou de ser convidada a sair do ciclo estagnante. Muitos homens vieram com a missão de impulsiona-la, e alguns, não obstante a perseguição de gente comprometida com o egoísmo, conseguiram deixar as suas relevantes contribuições. Allan Kardec, na questão 625, pergunta aos Espíritos, qual seria o tipo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem para lhe servir de guia e de modelo. – “vide Jesus”. (KARDEC, 1857).

Jesus, o homem envolvido com a vida sofrida de seu povo que foi oprimido e perseguido por mais uma dominação cruel em sua história, acreditou na força do amor, fraterno e incondicional. Curou pessoas, mostrando a possibilidade de avançar, condição que o Universo oferece à toda criatura. Porém, de alguma maneira, atingiu poderosos interesses da época, rompendo regras e por consequência, sendo assassinado.

A partir deste fato, iniciou-se a construção de uma religião que se apossou de histórias da tradição de outros povos, como o povo hebreu e o grego, distorcendo as escrituras hebraicas, alterando a história da vida de Jesus, para adaptá-la à posição de Messias e Cristo.

Sobre a criação da figura messiânica do Cristo, escreveu o especialista em estudos bíblicos, Bart Ehrman:” O termo messias vem do hebraico mashiach, que significa “aquele ungido”. O equivalente grego é christos, do qual vem o termo Cristo. (…) Para muitos judeus, o messias seria o futuro rei de Deus, aquele que, como o rei Davi, iria governar Israel em uma época de paz, não perturbado por nações rivais, feliz e próspero. (…) O que quer que diferentes judeus pensassem do messias, eles concordavam que seria uma figura de grandeza e poder, alguém obviamente escolhido e privilegiado por Deus. E quem era Jesus? Um criminoso crucificado. Jesus sofreu a morte mais humilhante e dolorosa que o inimigo podia conceber, reservada aos mais baixos entre os mais baixos. Jesus era exatamente o oposto do que as pessoas pensavam que seria o messias”. (EHRMAN, 2008).

Kardec, destacando a importância do aspecto moral da vida de Jesus de Nazaré, nos fala: “Podem dividir-se as matérias contidas nos Evangelhos, em cinco partes: os atos comuns da vida do Cristo, os milagres, as profecias, as palavras que serviram para o estabelecimento dos dogmas da Igreja e o ensinamento moral. Se as quatro primeiras partes foram objeto de controvérsias, a última manteve-se inatacável.” (KARDEC, 1864).

É este ensinamento moral, a base da Doutrina Espírita.

Bibliografia: O Problema com Deus, pag.134/135, Bart Ehrman.

                       O Livro dos Espíritos, Allan Kardec.

                       O Evangelho Segundo o Espiritismo, Introdução I, Allan Kardec.

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