NELSON MADEIRA

A afinidade entre os indivíduos é o maior laço que os une, em qualquer plano existencial. Os Espíritos falam a respeito disso, na questão 518 de O Livro dos Espíritos, que “Os Espíritos vão, de preferência aonde estão seus semelhantes; aí estão mais à vontade e mais seguros de serem ouvidos. O homem atrai para si os Espíritos em razão de suas tendências, quer sejam suas ou de uma coletividade, como por exemplo, uma cidade ou um povo.”

A partir disso, insistimos que a melhor maneira de quebrar a idolatria aos Espíritos, médiuns e oradores sistemáticos, tão em voga no Brasil, é partir para o estudo e pesquisar, nas obras básicas do Espiritismo, as revelações dos Espíritos Superiores, publicadas nos livros de Allan Kardec. Do contrário, continuaremos na contramão da Doutrina Espírita, como veremos a seguir:

No livro, “Brasil Coração do Mundo, Pátria do Evangelho” (Espírito Humberto de Campos, 1938), o autor narra que “o Senhor desejou realizar uma de suas visitas periódicas à Terra”(…) “no último quartel do século XIV”, encontrou com um  “mensageiro encarregado dos problemas sociológicos da Terra” chamado Helil, (futuro Dom Henrique de Sagres), e estando triste com a situação decadente do velho mundo, ouviu a sugestão deste mensageiro para criar uma nação no novo continente, à ser descoberto pelos homens, para iniciar a modificação do planeta Terra.  

Pela vontade do Senhor Jesus Cristo, esta terra seria o celeiro de dor e aprendizado necessário para corrigir, “os degredados”; uma espécie de penitenciária, se transformando, no futuro, após dolorosos resgates, na pátria do Seu Evangelho, exemplo para o mundo: a terra do Cruzeiro do Sul, ou Brasil. O livro é um verdadeiro ufanismo à terra brasileira, comparando-a à terra de Israel, prometida por Deus aos Hebreus. Considero esta obra, a base da terrível mistificação que tenta unir o Espiritismo às crenças religiosas do Cristianismo, que por sua vez, se apoderou da história do povo Judeu, para criação do messianato do mito Cristo.

Voltando às invencionices dos espíritos sistemáticos, no ano seguinte, 1939, a fantasia continuava, com a nova mitologia criada por Emmanuel, em seu livro “A Caminho da Luz”. Nesta obra, ele, pela sua opinião, afirma com o costumeiro tom místico e dogmático: “Só Jesus passou, na caminhada dolorosa das raças, objetivando a dilaceração de todas as fronteiras para o amplexo universal. Ele é a luz do princípio e nas suas mãos misericordiosas repousam os destinos do mundo” (!). Lembramos que a sua formação, em recentes encarnações, foi de Padre Jesuíta.

 Nós percebemos bem nitidamente, o choque frontal destes dois livros, como em tantos outros, com os ensinos dos Espíritos, e no particular ao que queremos focar neste artigo, a lei de afinidade, que reúne a humanidade em todos os planos de vida.

 O ex-padre Emmanuel delega a um ser, que supõe ser de pureza absoluta (Jesus Cristo), a responsabilidade de definir o destino do homem e ainda o coloca como a única opção evolutiva. Emmanuel não respeita a afinidade que provém das escolhas feitas pelo livre-arbítrio do indivíduo, mas tenta colocar os homens, em um determinismo e na vontade do espírito dito puro, o cordeiro cristo, quase ao nível de um deus.

Vemos este choque bem claramente, na questão 520, quando Kardec pergunta se os Espíritos Protetores de massas são de uma natureza mais elevada que a daqueles que se ligam aos indivíduos. Em resposta, eles esclarecem: “Tudo é relativo ao grau de adiantamento das massas, como dos indivíduos”. Não pode haver um líder espiritual de extrema elevação, guiando uma massa, ou um povo, ou mesmo um centro espírita, em caminhos primários da evolução, quando estão rebeldes, amorais e querem persistir no engano.

Em sua observação da questão 521, Kardec esclarece: “Entre os povos, as causas de atração dos Espíritos são os costumes, os hábitos, o caráter dominante, as leis, sobretudo, porque o caráter de uma nação se reflete em suas leis.” (…) “Em toda parte onde as leis consagram as coisas injustas, contrárias à Humanidade, os bons Espíritos estão em minoria, e a massa dos maus, que afluem, entretêm a nação em suas ideias e paralisa as boas influências parciais perdidas na multidão, como uma espiga isolada no meio das sarças. Estudando os costumes dos povos ou de toda reunião de homens, é fácil de se fazer uma ideia da população oculta que se imiscui nos seus pensamentos e nas suas ações.” Veja que a escolha é feita pelo indivíduo, e não pelos Espíritos, que por uma questão de afinidade, acabam se ligando aos seus iguais.

Essas publicações, datadas das primeiras décadas do século vinte, passaram á ser a base dos estudos e das condutas das casas espíritas no Brasil, sendo agora exportadas, fazendo a alegria dos seus empreendedores – pois sendo sucesso de vendas aqui, o caminho é a exportação, claro!

Eu questiono a razão destes espíritos, médiuns e oradores sistemáticos apresentarem tantas inverdades de cunho dogmático, mesmo se compreendendo que a maioria deles é oriunda de várias encarnações como sacerdotes em nível de comando, nas religiões cristãs, em conjunto com uma vaidade exacerbada.

 Será que eles não compreenderam o Espiritismo, ou será que planejaram propositalmente um ataque, com o apoio dos espíritos inferiores e de mal-intencionados líderes espíritas encarnados? A intensidade com que investiram essas ideias nas massas, bem como o longo tempo de sobrevivência desta, já considerada como uma “igreja cristã-espírita”, nos leva à concluir que a massa foi convencida, divulgando essas ideias, por falta de estudo.

Não culpem os Espíritos Superiores pelas escolhas feitas por essas massas e nem aguardem a regeneração do planeta como profetizam esses Espíritos, médiuns e oradores idolatrados! Os Espíritos Superiores nos disseram, na questão 521 que “Que quereis que vos façam (os Espíritos Protetores) com aqueles que creem ser o que não são? Eles não fazem os cegos verem, nem os surdos ouvirem”.

Bibliografia: O Livro dos Espíritos, Allan Karde

A Caminho da Luz – História da Civilização à Luz do Espiritismo, Emmanuel – Psicografia de Chico  Xavier.

                      Brasil Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, Humberto de Campos, psicografia de Chico Xavier.

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