O MEDO QUE PARALISA O PROGRESSO

Nelson Cardoso

Traz Kardec, nas perguntas 614 e 615, de O Livro dos Espíritos que: “A lei natural é a lei de Deus e a única verdadeira para a felicidade do homem. Ela lhe indica o que deve fazer e o que não deve fazer, e ele não é infeliz senão quando se afasta dela. (Q. 614) e que “Ela é eterna e imutável quanto o próprio Deus.” (Q. 615).A partir disso, percebe-se que a divisão da lei natural em partes, proposta por Kardec, abrange todas as circunstâncias da vida, segundo os Espíritos. Entre elas, está a do progresso, que iremos analisar hoje.

O mito da caverna, de Platão

O progresso avança com as escolhas que fazemos e nos dirão a velocidade e a intensidade dos sofrimentos vividos, pois como todas as demais leis, agirão sobre nós, respeitando o livre arbítrio, e este produzirá os efeitos da forma de seu uso, pois o universo é um conjunto interligado, opara o qual cada ação gera uma reação.

Às vezes fico pensando sobre um dos maiores entraves ao longo caminho do progresso humano, e à busca de conhecimento, tão necessário ao crescimento: o medo. Este sentimento paralisante, cria muros entre as pessoas, mascarando relacionamentos e produzindo angustia. O medo não permite o pensamento livre, que precede a tomada de decisões, mas que também requer assumir responsabilidade.

Devido ao processo que tenta frear uma lei natural, acaba por provocar angustia na pessoa, e a saída para fugir da lei – e de si mesmo – é inconscientemente negociar a sua individualidade, com uma dependência coletiva. Então ela passa a repetir opiniões alheias, de preferência de pessoas idolatradas pelo seu grupo social. A subserviência à este modo de viver, lhe trás uma falsa sensação de bem estar, pois ela se sente protegida pelos outros.

Cria-se, então, o ambiente ideal para a proliferação de religiões dogmáticas, com suas regras e padrões de comportamento, que lhe servirá de bengala. Os ídolos, os condutores de massas, são semideuses inalcançáveis. Paralelamente, a religião induz o sentimento de culpa que a pessoa teria herdado de seus primeiros ancestrais, como forma de alimentar o seu medo, afastando-a da razão, imprimindo dogmas e compromissos, que lhe servirá para aliviar a dor da culpa.

Por isso, o Espiritismo quando transformado em religião, leva os adeptos ao mesmo caminho acima, dando a ilusão de estar resgatando suas supostas dívidas passadas, pelo trabalho prestado na casa espírita. Estar trabalhando na casa passa a ser uma obrigação, não uma fonte de estudo. Em um ambiente assim, existe ainda, a vigilância dos companheiros para que ninguém tente se desgarrar do grupo.

Segundo os Espíritos, na questão 616, “A harmonia que rege o universo material e o universo moral está fundada sobre as leis que Deus estabeleceu para toda a eternidade”. Ficando estagnado, o homem se desarmoniza consigo e com o universo, perdendo um tempo precioso para o seu progresso.

Bibliografia: O Livro dos Espíritos, Allan Kardec.

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