RESPONSABILIDADE SEM FIDELIDADE, COMO ASSIM?…

NELSON CARDOSO

Obediência

Muito se diz que se deve ensinar às pessoas á pescar, e não apenas dar o peixe por toda vida. Se há uma razão maior neste raciocínio, é a de não se acomodar com a caridade beneficente, pois sendo uma espécie de pronto-socorro, será benéfica até a recuperação do paciente. Porém fatores se agrupam para que esse assistencialismo perdure. São interesses pessoais, tanto de quem dá, quanto de quem recebe, pois quem “dá”, vê a oportunidade de manter o poder sobre quem recebe. Portanto, há uma troca viciosa, não interessando a quem “dá” – que rompa este elo!

As seitas religiosas surgiram e se proliferam há milênios, graças a essa estratégia anteriormente citada. São impostas normas de conduta, em nome de um ser supremo, Deus, com a ameaça de castigo e punição aos que se desvirtuam do caminho traçado: os chamados ímpios. Essas penas são executadas diretamente pelo Divino, impondo sofrimentos diversos à pessoa, ou ditadas pelos seus representantes na Terra, (na verdade, os representantes dos primeiros idealizadores). Antigamente eles matavam em nome de Deus, hoje excluem socialmente o condenado, por meio de preconceitos, ao menos enquanto não se arrependerem. As ideias que formam essa dependência, partem de pessoas mais esclarecidas, cuja inteligência e astúcia, permite elaborar as regras para que este casamento se torne indissolúvel. Nem a morte os separa!

Manter a ignorância das pessoas, então, seria primordial? Seria como uma roda gigante que gira indefinidamente suspensa, sem sair do lugar?

Pois agora vamos ver o inverso: as ideias surgindo das pessoas menos esclarecidas. Pela condição em que elas se encontram, a tendencia natural, seria a de acrescentar superstições, até mesmo pela ausência de estudos criteriosos. O que podemos concluir desse dilema? Que as ideias precisariam, mesmo, vir de classes mais bem preparadas para elaborá-las. Faltaria, pois, para essas ideias serem impulsionadoras e não retentoras, o sentido moral, o de ensinar à pescar, para libertar as pessoas desta falsa dependência! Ideias surgem de homens, portanto esses homens necessitariam de quê? – – Da falta de interesse pessoal.

O entendimento que traz a liberdade de escolha

Allan Kardec

Kardec nos esclarece que o Espiritismo “nasceu em meios esclarecidos e só depois de se ter aí depurado e elaborado foi que penetrou, nos dias que correm, nas camadas menos cultas da sociedade, onde chegou desembaraçado, pela experiência e observação, de todas as implicações espúrias.” (KARDEC, 1862).

Foi nessas camadas menos cultas, que o Espiritismo se proliferou e fez uma revolução moral em muitas pessoas. Sua base doutrinária é simples de entender, pois tem a razão como fonte, desvenda mistérios até hoje ocultos pelo véu do medo e revela a justiça divina como Lei igual para todos.

Não cobra fidelidade a qualquer dogma, ou ao próprio Deus, não exigindo que deixe de praticar a sua crença pessoal. Torna universal e acessível à todas as pessoas, o verdadeiro sentido da vida, pois nos entrega a responsabilidade dela, pela liberdade das nossas escolhas., como se pode perceber nas seguintes palavras de Kardec:

Já não estamos mais no tempo das párias, em que, relativamente ao esclarecimento, dizia-se: Isto é para estes, isto é para aqueles outros! A luz penetra sempre na choupana, à medida que o sol da inteligência se ergue no horizonte e dardeja seus raios mais intensos. As ideias espíritas seguem esse movimento. elas estão no ar e não é dado a ninguém contê-las. O único necessário é dirigir-lhes o curso. O ponto capital do Espiritismo é o lado moral.” (KARDEC, 1862)

Ele (o Espiritismo) fala ao coração e para falar a linguagem do coração não há necessidade de diplomas. Fazei-o penetrar, por este caminho, na mansão e na choupana, e ele realizará milagres. (KARDEC, 1862).

Bibliografia: “Viagem Espírita em 1962”, 3ª edição, Casa Editora O Clarim, Allan Kardec, Instruções Particulares Dadas aos Grupos em Resposta a Algumas das Questões Propostas, III.

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