A REVELAÇÃO QUE PODE LIBERTAR O HOMEM

NELSON CARDOSO

                                                     

Na narrativa da criação, segundo as chamadas escrituras sagradas, temos a base que irá permear toda a relação entre o homem e o denominado Deus.

“Expulsão do paraíso” . Afresco da Paróquia de S. Pelegrino – RS.

No jardim do éden, a obra da criação estava completa e perfeita. Adão foi criado primeiro, depois Eva, vivendo em total harmonia com o ser de poder supremo, chamado Deus, administrando pessoalmente a sua obra. Porém já neste “jardim da utopia” (Ehrman – O problema com Deus), havia uma única e definitiva lei à ser obedecida: não comer o fruto proibido da árvore “do conhecimento do bem e do mal” – se comer daquele fruto, “terá de morrer” (Gn 2:17), ou seja, o fruto da desobediência.

Surge então, a serpente de pernas, animal astuto, dizendo à Eva que se comesse o fruto proibido, não morreria, mas permitiria aos seres humanos “serem como Deus”. Eva sucumbe à tentação da serpente, come o fruto e o dá à Adão que também o come. Deus surge caminhando pelo jardim, na agradável brisa no final do dia, e se dá conta do ocorrido, punindo cada um de forma definitiva: Adão e Eva teriam que trabalhar para plantar e colher o seu alimento, Eva, além disso, teria dores terríveis no parto e a serpente teria que se arrastar para andar, pois perderia as pernas.

 O que lemos nesta história, será a base das religiões judaico-cristãs. Ao obedecer a “vontade” do criador, o homem vive na felicidade relativa, em função da culpa do pecado de Adão e Eva, ou sofre a ira e a desgraça das punições pela desobediência às suas ordens.

Uma relação que envolve um interesse mútuo, pois o homem servindo à Deus, ou seja, o agradando, é por ele servido. Deus escolhe, ao seu critério, ao criar as pessoas, na Terra e no céu, para serem os seus protegidos, mesmo nascendo como pecadores, sofrendo ou tendo uma vida feliz; ou então, ficando no céu como um anjo. Mas não para por aí essa injusta lei. Determina ao pecador, apenas numa única e definitiva experiencia de vida, que defina pela eternidade o seu destino: o prazer do céu ou a desgraça do inferno.

Esse Deus, criador de leis injustas, ainda por cima é temperamental, sente ódio e pune sem misericórdia os seus desafetos. Um Deus que seria tão humano quanto as suas próprias criações, pelos sentimentos que tem, não fosse o poder ilimitado, de fazer e desfazer tudo.

Eis o dilema dos homens, que possuidores de inteligência e razão, precisam abrir mão desta capacidade que é na verdade, o seu fruto proibido, para viver sem escolhas, sendo um eterno guiado.

AS CRUZADAS

Por incrível que pareça, essa lenda absurda, impossível de se aceitar, é a ideia que se mantém real por milênios, ainda conduzindo o destino de muitos homens. O desejo de fazer prevalecer os seus interesses, foi o fator determinante que fez um dia, alguém criar uma figura com um poder absoluto sobre as massas, que tivesse o mesmo efeito que as catástrofes naturais exerceram sobre o homem primitivo, cujo medo dos seus efeitos, o levaram à tentar negociar, com os fenômenos, o que eles não tinham controle.

Alguém, um dia, percebeu que essa era a chave do domínio, e o chamou de Deus. Chamou de Leis Divinas, os seus interesses pessoais.

Se contrapondo a este poder humano mascarado de divino, surgem desde há milênios, homens cuja missão é levar pessoas a pensar, permitindo que elas saiam deste ciclo dominador e encontrem a liberdade, assumindo a responsabilidade diante da sua própria vida, ao reconhecer no outro os mesmos direitos que tem. Sendo solidário e fraterno, este homem sabe que as leis que regem o universo não poderiam variar conforme os desejos humanos, que a inteligência suprema, a causa primária de todas as coisas, é absolutamente justa e imutável, nada cobrando e nem punindo. Elas harmonizam.

Como se diz hoje em dia, traz segurança jurídica! Tudo no Universo está em equilíbrio com essas leis, pois são a absoluta perfeição, e, portanto, nenhuma razão a desmente.

Jesus com o seu povo

À medida que se liberta do domínio mental que aceitou ficar até então, os homens vão progredindo e adquirindo novos conhecimentos, que antes não poderiam alcançar.

Eis a mais recente dessas revelações que o homem já pode alcançar: a continuidade da existência após a morte física, mantendo naturalmente, toda a vivência individual, mantendo-a atrelada as responsabilidades assumidas. Por essa revelação pertencer às Leis Universais, jamais será superada. À cada nova descoberta, à cada passo que a humanidade der, ela estará presente, pois está acima das questões momentâneas e que são superáveis, acima de seitas fechadas, dogmatizadas e estando aberta a desvendar todos os mistérios; cujo maior valor está na solidariedade que envolve cada criatura, em todos os pontos do Universo.

Hoje essa nova revelação é chamada de Espiritismo. Amanhã já não precisará de denominação. Será a regra geral!

O Livro dos Espíritos, quarta edição francesa

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