O PRODUTO DE CONSUMO CHAMADO ESPIRITISMO À BRASILEIRA.

NELSON CARDOSO

Conhecer o Espiritismo na sua essência não é um refrão nem tão pouco uma redundância. Quando os Espíritos Superiores revelaram algumas das leis naturais que regem o universo, entre elas as que envolvem a nossa relação com os ditos mortos, até então encobertas por um véu de mistério, proporcionaram um entendimento racional, de justiça, de esperança e consolo aos que buscavam um sentido para a vida. A forma como foi apresentada à humanidade, mostrou um trabalho sério de pesquisa, sem interesses pessoais ou de grupos manipuladores de qualquer área, seja política ou de seitas religiosas. Pelo sentido universal e fraterno, manteve-se acessível à quaisquer movimentos sociais, sem ser afetado por fenômenos naturais do planeta e à todas as religiões.

A respeito de como foi apresentada, mostra Kardec: “Se a Doutrina Espírita fosse uma concepção puramente humana, ela não teria por garantia senão as luzes daquele que a tivesse concebido;” (…) “O Espiritismo não tem nacionalidade, está fora de todos os cultos particulares” (…)“eis que milhares de vozes se fazem ouvir simultaneamente sobre todos os pontos da Terra, para proclamar os mesmos princípios, e transmiti-los aos mais ignorantes e aos mais sábios, a fim de que ninguém seja deserdado.” (KARDEC, 1864, introdução II).

Os Espíritos nada mais são que os homens depois da morte. Todas a diferença de capacidade, afasta-os individualmente de estarem na posse de toda a verdade. Sendo proporcional à sua depuração, nos mostra Kardec, sobre isso: “que há entre eles , como entre esses últimos (os homens), presunçosos e pseudo-sábios que creem saber o que não sabem e sistemáticos que tornam suas ideias pela verdade;” (KARDEC, 1864, introdução II).

PRODUTOS DE EXPORTAÇÃO, MADE IN BRASIL!

Quando falamos de renascimento do espiritismo, trazendo à tona a sua essência, é para mostrar o contraste que hoje se tem no Brasil, e já sendo exportado para outros países, de um espiritismo contaminado por dogmas e opiniões pessoais.

Espíritos de sistema com suas ideias únicas tem as suas obras vendidas aos milhões, em substituição às obras básicas da Doutrina Espírita. As suas mensagens são lidas nas palestras das casas espíritas, como homilias em igrejas cristãs. Grupos de estudos criados para as suas obras. Suas opiniões são destacadas nas mídias. São citados e divulgados aos quatro ventos, como donos inquestionáveis de verdades, junto com médiuns e oradores idolatrados. Estes médiuns e oradores são sempre consultados, ou não, pois querem emitir opiniões, em qualquer acontecimento catastrófico e também para julgar comportamentos sociais. Sem contar aqueles que se dizem Espíritas, mas em público chegam à renegar os preceitos da doutrina para agradar a massa que lhe dá audiência e salário.

Hoje temos os médiuns famosos, diferentes daqueles médiuns que colaboraram com Allan Kardec, permitindo que os Espíritos nos trouxessem as informações que ele, Kardec, pode analisar e comparar, vindas de diversos pontos do planeta, médiuns esses que sequer tiveram os seus nomes incluídos nos créditos dos livros publicados.

Não se pode aceitar o Espiritismo oferecido como um produto multimarca, vulgarizado como mais uma religião, caminhando na contramão do que sempre será na sua essência, o grande elo moral e fraterno que une todos os homens, independente de posições politicas, sociais e religiosas.

A essência do Espiritismo abrange todos os que buscam entender a vida.

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