JESUS E O ESPIRITISMO

Nelson Cardoso

O Espiritismo foi revelado por meio do método chamado Controle Universal do Ensinamento do Espíritos que já expusemos em outro artigo (O Controle Universal do Ensinamento dos Espíritos X Roustanguistas – 17/08/2019). Porém queremos ressaltar que este método, para ter qualidade, necessita de um interlocutor que proponha questões realmente importantes, extraindo, com o uso inteligente da razão, as informações relevantes e Kardec mostrou ser um pesquisador eficaz. Assim, a proposta científica da Doutrina Espírita se junta ao consolo de uma filosofia moral que abrange fraternalmente todos os homens, sem qualquer preconceito que os possa dividir.

Analisando a visão dos Espíritos com relação à Jesus, encontramos diversas referências nas obras básicas codificadas por Kardec e entre tantas, destacamos apenas algumas:

Em O Livro dos Espíritos, Kardec pergunta: “Qual é o tipo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem para lhes servir de guia e modelo?” -Vede Jesus. Na sequência, Kardec comenta que outros homens tiveram a oportunidade de instruir a humanidade, mas que alguns se deixaram dominar por sentimentos muito terrestres, dando como leis divinas, as leis humanas. (KARDEC, 1857 – Q.625 e comentário).

Em O Livro dos Médiuns, existe uma mensagem psicografada por “um dos melhores médiuns da Sociedade Espírita de Paris” e cuja assinatura da mensagem era de Jesus de Nazaré. Em nota, Kardec diz: “Não duvidamos de nenhum modo, que não possa se manifestar, mas se os Espíritos verdadeiramente superiores não o fazem senão em circunstâncias excepcionais, a razão nos proíbe crer que o Espírito puro por excelência responda ao apelo de qualquer um;” (KARDEC, 1861 – Segunda parte, cap. XXXI, item IX). (Vide nota no rodapé).

Na introdução de O Evangelho Segundo o Espiritismo, ele separa as matérias dos Evangelhos em cinco partes: os atos comuns do Cristo, os milagres, as profecias, as palavras que serviram para o estabelecimento dos dogmas da Igreja e o ensinamento moral, sendo esta última parte, o objetivo exclusivo da obra. (KARDEC, 1864 – Introdução, I – Objetivo desta obra).

Em A Gênese, cujo subtítulo é “Os milagres e as predições segundo o Espiritismo”, Kardec explica: “A superioridade de Jesus sobre os homens não se prendia às particularidades de seu corpo, mas às de seu Espírito, que dominava a matéria de maneira absoluta, e à de seu períspirito, haurida na parte mais quintessenciada dos fluidos terrestres.” E refere-se ao capítulo anterior:” (…) Espíritos de ordem mais elevada podem se manifestar entre os habitantes da Terra, ou se encarnar em missão entre eles. Estes Espíritos carregam consigo, não o seu envoltório, mas a lembrança, por intuição, das regiões aonde vêm, e que veem pelo pensamento. São videntes entre cegos.” (KARDEC, 1868 – XV, nº 2 e XIV, nº 9).

Desde o século XVIII, pesquisas sobre o Jesus Histórico sendo realizadas por pesquisadores sérios, sem compromisso à não ser com a busca da verdade, que usam os métodos de comparação entre os quatro Evangelhos, bem como obras de historiadores à época de Jesus, que continham pouquíssimas informações sobre a sua vida mas mostravam as tradições daqueles povos, que contrariam inúmeras vezes, as narrativas dos Evangelhos.

Já à época de Kardec, o filósofo e historiador Ernest Renan, em seu livro “Vida de Jesus” (1863), humanizou o Cristo, chamando Jesus de homem incomparável e foi tema da Revista Espirita de maio e junho de 1864. De lá para cá, muitas descobertas arqueológicas foram feitas, e hoje temos um conhecimento com base em evidências, que afastam o Cristo da fé, figura mitológica, da crença vinda do paganismo de outros povos, do homem Jesus.

 “Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas demonstrarem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificará nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará.(KARDEC, 1868 – cap. I, item 55).

Nota: Quando lemos a mensagem citada, percebemos a grandeza de suas palavras, porém no último parágrafo a frase: “Jesus Cristo é o vencedor do mal “, nos parece que seria um enaltecimento da sua própria pessoa, incompatível com um Espírito Superior. Na questão 111 de O Livro dos Espíritos, Kardec diz sobre os Espíritos Superiores que “Sua linguagem, que não revela senão benevolência, é constantemente digna elevada e, frequentemente sublime.”, deixa claro que a encarnação deles se dá por exceção, “para cumprirem missão de progresso, oferecendo-nos o modelo de perfeição a que a humanidade pode aspirar neste mundo.” E na questão 113, quanto aos Espíritos Puros: “Não estando mais sujeitos à reencarnação em corpos perecíveis, é para eles a vida eterna, que desfrutam no seio de Deus”. Nesta escala espírita, Jesus ainda não seria um Espírito Puro à época de sua encarnação.

BIBLIOGRAFIA: O Livro dos Espíritos – Allan Kardec

                                 O Livro dos Médiuns – Allan Kardec

                                 O Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec

                                 A Gênese – Allan Kardec

                                 Revista Espírita de 1864 – Allan Kardec

                                 Vida de Jesus – Ernest Renan, 1863.

“Coloca na cabeça do livro a cepa de vinha que te desenhamos, por que ela é o emblema do trabalho do criador; todos os princípios materiais que podem melhor representar o corpo e o espírito nela se encontram reunidos: o corpo é a cepa; o espírito é o licor; a alma ou o espírito unido á matéria é o grão. O LIVRO DOS ESPÍRITOS – Prolegômeno.

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