O Controle Universal do Ensinamento dos Espíritos X Roustainguistas

Nelson Cardoso

Na história da humanidade, o que podemos chamar de grandes revelações, que serviram de impulso aos povos, foram feitas pelas mãos de apenas um homem. Assim foi com o povo hebreu, por meio de Abraão e depois conduzidos à terra prometida por Moisés. Buda, Jesus, Maomé, cada um em seu tempo, trouxe sua contribuição pessoal para o progresso moral e seus seguidores os reconheceram como representante de um ser divino sobre a Terra. Alguns deles e outros, classificados como filósofos e mestres, deixaram seus legados para além de seus povos, com sua visão universal.

Além de não ter sido uma concepção puramente humana, ou seja, ideia de um homem, a Doutrina Espírita não foi revelada pelos Espíritos à apenas uma pessoa, mas a diversos médiuns, em locais diferentes. Allan Kardec organizou e encaminhou as questões, usando o critério de comparação das diversas respostas recebidas. Esse processo de respostas envolvendo diversos Espíritos e médiuns em lugares diferentes, recebeu o nome de Controle Universal do Ensinamento dos Espíritos (CUEE).

Como escolher o Espírito perfeito para as revelações da Doutrina Espírita?

“Sabe-se que os Espíritos, em consequência da diferença que existe em suas capacidades, estão longe de, individualmente, estarem na posse de toda a verdade; que não é dado a todos penetrar certos mistérios; que seu saber é proporcional à sua depuração; que os Espíritos vulgares não sabem mais que os homens; que há entre eles, como entre os homens, presunçosos e pseudo-sábios que creem saber o que não sabem e sistemáticos que tomam suas ideias pela verdade.” (…) “Disso resulta que, para tudo o que está fora do ensinamento exclusivamente moral, as revelações que cada um pode obter têm um caráter individual, sem autenticidade, que elas devem ser consideradas como opinião pessoal de tal ou tal Espírito, e que haveria imprudência em aceita-las e promulga-las levianamente como verdades absolutas.” (KARDEC, 1864, Introdução II, Destaques nossos).

O olhar para o futuro do Espiritismo, levou Kardec a advertir sobre instruções dadas pelos Espíritos para os assuntos até então ainda não elucidados: “que elas não devem ser aceitas senão com todas as reservas e a título de informação” (KARDEC, 1864).

A preocupação de Kardec com os cuidados que exigem a análise das instruções dos Espíritos, “é uma garantia contra as alterações que poderiam infligir ao Espiritismo as seitas que gostariam de se apoderar dele em seu proveito, e acomoda-lo à sua maneira”. (KARDEC – ESE, Introdução II, 1864).

A CRIAÇÃO DA RELIGIÃO ESPÍRITA NO BRASIL

A Doutrina Espírita no Brasil chegou acompanhada das ideias de J.B. Roustaing, no seu livro “Os Quatro Evangelhos”, obra então já esquecida no seu país de origem, a França, mas que tomou vulto aqui, pois foi aceita e editada pela FEB como obra integrante do Espiritismo, contrariando orientação dada por Kardec sobre Controle Universal do Ensinamento dos Espíritos. Esse livro, ditado nada mais, nada menos que pelos Evangelistas de o Novo Testamento, constam afirmações como o corpo fluídico de Jesus, a virgindade de Maria e a reencarnação como instrumento de castigo de Deus.

Afirmou Kardec sobre esta publicação de Roustaing, em artigo publicado na Revista Espírita de junho de 1866, pag. 258: “Convém, pois, considerar essas explicações como opiniões pessoais dos Espíritos que as formularam, opiniões que podem ser justas ou falsas, e que, em todo o caso, necessitam da sanção do controle universal, e, até mais ampla confirmação, não poderiam ser consideradas como partes integrantes da Doutrina Espírita.

A Doutrina Espírita chegou aos dias atuais incorporando dogmas e mistificações das igrejas cristãs, com o apoio dos órgãos dirigentes do Espiritismo no Brasil, fazendo a divulgação de obras não-espíritas, psicografadas por Espíritos de Sistema, como Emmanuel, Joanna de Angelis, André Luiz, Miramez, Humberto de Campos e tantos outros. Ideias que sempre foram apoiadas por esses órgãos, desde a época do dirigente Bezerra de Menezes, um dos muitos adeptos de Roustaing.

Bibliografia: O Livro dos Espíritos, Allan Kardec.

O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec

Revista Espírita, junho de 1864.

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