DECISÃO E CORAGEM EM BUSCA DA MAIORIDADE.

NELSON CARDOSO

“Sapere aude! (ª) Tem coragem de fazer uso do entendimento, tal é o lema do esclarecimento.”, já disse Kant.

Quando ouvimos histórias em nossa infância, as tomamos como verdades, e levamos um bom tempo para podermos entender que não são. Assim ocorre com os contos de fadas, os terríveis contos de terror para nos fazer obedecer e as histórias para nos despertar desejos de consumo, como a do papai noel. À medida que crescemos, vamos deixando algumas e incorporando outras histórias que nos passam. Aquelas que lemos nos livros didáticos do curso fundamental, sobre os fatos ocorridos na humanidade, tão supérfluas e pueris, e as histórias religiosas contadas nas igrejas, no colégio e no lar dependendo da família, baseadas em livros ditos inquestionáveis.

Neste artigo de hoje, desejamos procurar entender um pouco essas estranhas histórias que acabam por se transformar em dogmas e tentarmos saber porque as pessoas seguem ideias repassadas por outras pessoas que se acreditam inspiradas, mas que ao menor filete de luz da razão, se desintegram.

Immanuel Kant

Histórias são arquivadas em nosso inconsciente e são relembradas nos meios sociais que frequentamos.  Infantilmente nos mantemos na menoridade ao repeti-las com intensidade e passam a pertencer ao universo de nossa crença.  Como estamos em um meio comum, uma sociedade massificada, a maioria age de maneira semelhante, em defesa de um conforto que a mantenha aquecida como os pinguins, no inverno antártico.  Este comodismo se enraíza como dogma e não passa mais pelo processo de esclarecimento, como nos diz Immanuel Kant (1804): “Esclarecimento é a saída do homem da menoridade pela qual é o próprio culpado. Menoridade é a incapacidade de servir-se do próprio entendimento sem direção alheia. O homem é o próprio culpado por esta incapacidade, quando sua causa reside na falta, não de entendimento, mas de resolução e coragem, de fazer uso dele sem a direção de outra pessoa.”

Temos uma tendência de justificar o injustificável, e saindo pela culatra, com a desculpa: – O importante é a nossa atitude, de fazermos o bem e a caridade. Se a história que aprendi não foi esta, que diferença faz?”  Como se não importasse estarmos sendo conduzidos e manipulados, com o objetivo de nos afastarmos de questionamentos que irão nos levar ao autoconhecimento e nos fará sair desta dependência, chamada por Kant, de menoridade. Pra quem fazemos a caridade? Não estaremos agindo como aquele que fala: faça o que digo, mas não faça o que faço? Como ajudar alguém, se ainda não temos capacidade de nos conhecer?

Esta manipulação que conduz a massa, não é imposta por ninguém, mas é aceita pela própria escolha: “O homem é o próprio culpado por esta incapacidade” seria por falta de oportunidades? Veja que não: “quando sua causa reside na falta, não de entendimento, mas de resolução e coragem, de fazer uso dele sem a direção de outra pessoa.” (destaque nosso). Seria a síndrome da bola de bilhar, que vai para onde o taco a empurra.

Dois séculos se passaram desde esta reflexão de Kant, e quantos de nós estamos dispostos à iniciar as mudanças que o novos conhecimentos nos tem revelado, mexendo com as nossas certezas de sempre, e iniciando a saída do lugar marcado e almofadado para um caminho de dúvidas e novos aprendizados, alterando totalmente as crenças que tínhamos?

Imagine-se desconstruindo certezas que você sempre acalentou: ressurreição de Jesus Cristo para salvar a humanidade do pecado original julgando os hereges , o céu para os crentes e o inferno para os infelizes de Satanás, a Bíblia toda escrita sob a inspiração de Deus, sem poder nada tirar, o Adão e Eva, os Anjos, os Santos, o Espirito-Santo, a virgem Maria, a ceia, o corpo, o sangue, a aliança… o poder da Igreja Cristã! A escolha do Espiritismo como uma nova religião para manter as crenças de sempre!

Já imaginou saber que suas crenças podem estar totalmente equivocadas?

Você hoje voltaria à acreditar nele?… É preciso decisão e coragem. E então, chorou quando descobriu que papai noel não existe?

Bibliografia: “Em abril de 1783 o jornal germânico Berlinische Monatschrift perguntava: O que é o esclarecimento? Diversas respostas foram enviadas, mas foi um ano depois, em dezembro de 1784, que o filósofo Immanuel Kant responderia à questão com um brevíssimo ensaio, que, no entanto, ficou famoso e teve o maior impacto dentre todas as respostas.” (1)

(1) – Texto retirado de: thomasvconti.com.br/2013/immanuel-kant-que-e-esclarecimento/

13/09/2013 – Thomas Conti .

(ª) – Latim: “ouse saber”.


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