SER MÉDIUM É UM TALENTO?

Nelson Cardoso

Encontra-se na questão 159 de O Livro dos Médiuns (LM) que “Toda pessoa que sente, em algum grau qualquer, a influência dos Espíritos, por isso mesmo é médium” (KARDEC, 1861). Ainda sobre a influência espiritual na vida humana, na pergunta 459 de O Livro dos Espíritos (LE) identifica-se devido tratamento sobre esse assunto: “A esse respeito sua influência é maior do que credes porque, frequentemente, são eles que vos dirigem” (KARDEC, 1857). Entretanto, Kardec faz uma ressalva, em LM, ainda na questão 159, tendo por base essa definição, quanto à prática da mediunidade: “Todavia, usualmente, esta qualificação não se aplica senão àqueles nos quais a faculdade medianímica está nitidamente caracterizada, e se traduz por efeitos patentes de uma certa intensidade, o que depende, pois, de um organismo mais ou menos sensível” (KARDEC, 1861)

Diante do entendimento do que é o fenômeno da mediunidade em sua intensidade, resta saber se podemos adquiri-lo ou potencializá-lo pelo nosso esforço e dedicação. A resposta é não. Encontra-se na questão 59 da obra O Que é o Espiritismo (QE) que “O talento se adquire pelo trabalho e aquele que o possui dele é sempre senhor; o médium não é jamais senhor da sua faculdade, uma vez que depende de uma vontade estranha” (KARDEC, 1859). Ou seja, não há qualquer controle sobre este fenômeno natural por parte do próprio médium. Não é uma escolha sua. Os Espíritos não se manifestam pela vontade do médium. Muito provavelmente, ao tentar conduzir essa escolha, o médium estará sujeito à presença de Espíritos embusteiros, em substituição aos evocados.

Ressalta Kardec, quanto a isso, em QE, no item Meios de Comunicação: “Seria, pois, um erro crer-se que todo Espírito pode atender ao apelo que lhe é feito e se comunicar com o primeiro médium que encontra. Para que um Espírito se comunique é preciso primeiro que lhe convenha fazê-lo; em segundo lugar, que sua posição ou suas ocupações lhe permitam; em terceiro lugar, que ele encontre no médium um instrumento propício, apropriado à sua natureza” (KARDEC, 1859). Já na questão 59 do mesmo livro, Kardec mostra que “Os médiuns não possuem senão a faculdade de se comunicar, mas a comunicação efetiva dependa da vontade dos Espíritos. Se os Espíritos não querem se manifestar, o médium nada obtém, ficando como um instrumento sem músico” (KARDEC, 1859).

No item 18, ainda na mesma obra, da parte denominada Resumo das Leis dos Fenômenos Espíritas, tem-se que (…) de sorte que ninguém pode afirmar que um Espírito qualquer virá ao seu chamado em um momento determinado, ou responderá a tal ou qual pergunta. Dizer o contrário é provar ignorância absoluta dos princípios mais elementares do Espiritismo; só o charlatanismo tem fontes infalíveis” (KARDEC, 1859).

A VAIDADE E A FASCINAÇÃO

Diante desses esclarecimentos apresentados por Kardec, verificamos o quanto é distinta a comunicação dos Espíritos da vontade dos médiuns, ficando estes restritos à condição de simples transmissores de mensagens. O desejo de ser protagonista ou de escolher quem trará uma mensagem é nula no fenômeno mediúnico. O que nos leva a refletir sobre o sentimento de vaidade que levam alguns médiuns a acharem que são merecedores de tais comunicações e de tais Espíritos. Vaidade que é alimentada, por vezes, por uma assistência sedenta de revelações pessoais. Criando-se a interação entre idolatria e vaidade. O pior é que em tais circunstâncias o médium passa a ser instrumento dos Espíritos que afinam com este ambiente.

Esse ambiente de afinidade pode alterar uma reunião mediúnica, ou de fluidoterapia, sem que os componentes consigam perceber, envolvidos que estarão com o fenômeno denominado fascinação, e que pode ser coletiva. De acordo com o que se encontra em LM, na questão 239, este fenômeno “É uma ilusão produzida pela ação direta do Espírito sobre o pensamento do médium, e que paraliza de alguma forma seu julgamento com respeito às comunicações” (KARDEC, ANO), podendo ultrapassar os ambientes citados acima e envolver vários membros da Casa Espírita.

Bibliografia:

O Livro dos Espíritos – IDE Editora, 182ª edição – Allan Kardec

O Livro dos Médiuns – IDE Editora, 85ª edição – Allan Kardec

O Que é o Espiritismo – IDE Editora, 75ª edição, de bolso – Allan Kardec.

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