O ESPIRITO DE SISTEMA

Nelson Cardoso

Narciso – Mitologia Grega.

O Livro dos Espíritos “ foi escrito por ordem de (e ditado pelos) Espíritos Superiores, para estabelecer os fundamentos de uma filosofia racional, livre dos prejuízos do espírito de sistema.” (1)

O que será o espírito de sistema e que prejuízos poderia trazer à obra? (ª)

“Que há, entre eles (Espíritos), como entre esses (Homens)”... “sistemáticos, que tomam suas idéias por verdades ; enfim, que os Espíritos da ordem mais elevada, que são completamente desmaterializados, são os únicos libertos das idéias e das preocupações terrenas.” (2)

Com esta explicação, dada por kardec na introdução de O Evangelho Segundo o Espiritismo e na Revista Espírita, fica fácil responder as duas questões acima (ª), não é mesmo? Trazendo informações que não foram confirmadas à não ser por eles próprios, esses espíritos se afastam de um dos fundamentos da Doutrina Espírita, a universalidade do ensino. Prestam um desserviço ao espiritismo.

Quando suas ideias se transformam em livros psicografados, entram para o catálogo oficial das obras doutrinárias, não como ficção (como deveriam ser), mas como obras verídicas, levando o adepto e os simpatizantes da doutrina espírita, à aceita-los sem questionamentos. Um dogma!

Essas obras no Brasil são publicadas desde a década de 1930. São hoje, fontes de consulta, estudos constantes em grupos, nas casas espíritas e base para palestras públicas, realizadas muitas vezes por respeitáveis e/ou famosos palestrantes. Construiu-se uma “admiração” em torno desses Espíritos, sendo eles elevados, por idolatria, à classe de Espíritos Superiores. Com direito à quadros com fotos, fixados em locais públicos!

Divido as obras psicografadas pelos Espíritos de sistema, em duas categorias:

Primeira: Narrativas de personagens conhecidos na história do Cristianismo, como Jesus, Pedro, Tiago, Paulo de Tarso, Maria de Nazaré, Maria de Magdala, etc.., com ou sem as participações in loco desses autores espirituais. São contos, com diálogos desconhecidos até então.

Segunda: Teorias envolvendo a criação do planeta Terra e o surgimento dos povos primitivos. Reuniões siderais de alto escalão, onde se encontram Espíritos Puros, Anjos, designados por nomes conhecidos, e Espíritos promovidos à Superiores, embora tenham acabado de desencarnar na Terra! Tomam decisões fantásticas sobre o destino do planeta!

Juntaram o milenar título crístico de Jesus ao de “governador do sistema solar”, presidindo a empresa responsável pelo canteiro de obras, para a construção do nosso planeta. Isto há bilhões de anos! Um avanço de conhecimentos que ganhamos repentinamente, de presente, sem nenhum esforço ou necessidade de pesquisas! Você acredita que um Espírito Puro, (sim, somente neste grau de evolução o Espírito teria essa informação), faria essas revelações? Seria como nos dizer quantos planetas em torno da estrela “Proximo Centauri”, tem Espíritos encarnados em condições semelhantes às nossas! Para que estudar? É só consultar os Espíritos!!

Em “Brasil Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”, de Humberto de Campos, o Espírito Emmanuel, no prefácio, esclarece que “Os dados que ele (Humberto de Campos) fornece nestas páginas foram recolhidas nas tradições do mundo espiritual...” Entre tradição e fato, existe uma grande diferença! Ninguém lê as introduções de livros!…

Então essas obras poderiam ser criações próprias, com a inspiração natural de um(a) romancista ou cronista? Sim. Mas deveriam ter colocado um honesto aviso na introdução dessas obras!

Uma só garantia séria existe para o ensino dos Espíritos: a concordância que haja entre as revelações que eles façam espontaneamente, servindo-se de grande número de médiuns estranhos uns aos outros e em vários lugares”. (2)

Analisando mensagens de Jesus à luz do espiritismo.

FIZERAM DE NOVO, UM NOVO TESTAMENTO??

Se já temos tantas dificuldades para confirmar a veracidade dos textos que se encontram nos evangelhos oficiais e nos apócrifos, como aceitar esses novíssimos, escritos em pleno século XX, dois mil anos após os fatos narrados? De que vozes espaciais vieram essas informações, esses diálogos entre Jesus e aqueles personagens? Vieram das tradições do mundo espiritual? De boca em boca por dois mil anos.

“Sabe-se que os Espíritos, em virtude da diferença entre as suas capacidades, longe se acham de estar, individualmente considerados, na posse de toda a verdade; que nem a todos é dado penetrar certos mistérios; que o saber de cada um deles é proporcional à sua depuração;” (2)

“O primeiro controle é, sem contradita, o da razão, ao qual cumpre se submeta, sem exceção, tudo o que venha dos Espíritos. Toda teoria em manifesta contradição com o bom-senso, com uma lógica rigorosa e com os dados positivos já adquiridos, deve ser rejeitada, por mais respeitável que seja o nome que traga”.(2)

Kardec não poderia ser mais claro.

VAMOS ESTUDAR, MINHA GENTE!

O MÉDIUM E A MENSAGEM

Fazendo um elo com o nosso artigo anterior, precisamos ter o cuidado de preservar o médium que serviu aos Espíritos citados, lembrando o que nos diz Kardec sobre BONS MÉDIUNS, Médiuns modestos: “os que não se atribuem nenhum mérito pelas comunicações que recebem, por belas que sejam; se consideram como estranhos e não creem ao abrigo das mistificações. Longe de fugirem aos avisos desinteressados, os solicitam.” (4)

“O que constitui o médium seguro, que se pode verdadeiramente qualificar de bom médium, é a aplicação da faculdade, a aptidão de servir de intérprete dos bons Espíritos” (5)

Se um dia a Doutrina Espírita lhe trouxe as revelações e o consolo que procurava, pois por onde você esteve, não conseguiram responder as questões que afligiam o seu íntimo, assuma a responsabilidade de se conhecer melhor, pelo estudo sério da obra dos Espíritos, através do trabalho abnegado de seu codificador!

Esta será uma grande oportunidade que você se dará!

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO – INTRODUÇÃO II.

A AUTORIDADE DA DOUTRINA ESPÍRITA. (2)

“É a universalidade do ensino, sancionada, ademais, pela lógica, que fez e que completará a Doutrina Espírita. Nessa universalidade do ensino dado em todos os pontos do globo, por Espíritos diferentes, e em centros completamente estranhos uns aos outros, e que não sofrem qualquer pressão comum, esta doutrina colhe uma força contra a qual em vão lutarão as opiniões individuais, seja dos Espíritos, seja dos homens”. (3)

(1) – O Livro dos Espíritos – Polegômenos.

(2)Revista Espírita- 1864 abril – Pág .140, 141. / ESE – O Evangelho Segundo o Espiritismo, introdução parte II – Autoridade da Doutrina Espírita.

(3) – Revista Espírita de 1867 – agosto – Pág..320.

(4)- O Livro dos Médiuns, segunda parte item 197.

(5)- O Livro dos Médiuns, cap. XXIII e O que é o Espiritismo, item 84, Qualidade dos Médiuns.

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