KARDEC: O HOMEM POR TRÁS DO NOME…

Nelson Cardoso

UM FILME QUE PODE SER INSERIDO NO NOVO MOVIMENTO DO RENASCIMENTO ESPÍRITA

Nelson Cardoso

Ao ler o texto que Wagner de Assis publicou recentemente sobre o seu filme, faço algumas observações.

= Um texto lúcido, muito esclarecedor. Mostrando a vida do esforçado codificador, de forma humana, dentro dos aspectos de ciência e filosofia que sempre nortearam as suas pesquisas.
A análise da atual situação em que se encontra o espiritismo no Brasil, onde a mistificação de Espíritos , médiuns e palestrantes famosos, trazendo conceitos pessoais e desvirtuando a visão universal dos Espíritos apresentados na codificação, talvez seja uma das explicações para esse ainda pouco público nas salas de cinema.


Seu texto, como o seu filme, é também um alerta para esses fáceis caminhos atuais de verdades pessoais, sem base em estudos sérios.

Talvez se o filme fosse baseado em uma ficção religiosa, um romance pseudo-histórico, que invade a literatura espírita brasileira, tivessem mais sucesso de bilheteria!

Porém, amigo Wagner, o seu trabalho precisa continuar, assim como daqueles que percebem este desvio para a estrada bem pavimentada e dourada, dos dogmas e conceitos religiosos estranhos à doutrina, cultuando o personalismo idolatrante.

Mas a obra do artista deve aproveitar os recursos técnicos do seu tempo.

Talvez seja a hora de procurar centros espiritas dispostos à levar o filme às suas regiões. Procurar canais de mídia televisiva e também oferecer o produto em formato individual (DVD, YouTube pago, por exemplo).

Avanti, amigo! Não desanime!


Sem questionamentos e obras, seremos coniventes com o momento pseudo-espírita que veio se instalar em nosso país. Na utilização desses recursos, chegaremos aos corações que aguardam apenas um despertar.

Quando assisto palestras e conferências sérias, onde se levantam questões à principio polêmicas para os padrões da maioria; onde leva-se o publico à fazer reflexões e mudanças de conceitos, que foram plantadas por divulgadores, médiuns e Espíritos famosos e idolatrados. Conceitos esses, que são despidos do conhecido método de estudos de Kardec, o Controle Universal dos Espíritos. opiniões apresentadas por um indivíduo apenas, repetido em forma de citação por muitos, verifico bastante receptividade.

Este público diante da coerência, acaba por reagir positivamente, levantando dúvidas, verificando os seus equívocos.

Infelizmente, na sequência do passar do tempo nos locais de exposições, este público volta a receber costumeiras desinformações. Poucos são os expositores que não trazem suas opiniões próprias ou de alguém sem base em pesquisas sérias. Delírios passam à ser verdades incontestáveis.

O caminhar na busca da verdade é impermanente.

O compartilhamento de conhecimentos sólidos é imprescindível à instrução do público.

O texto do Wagner de Assis:

O brilho de algumas estrelas, o tempo jamais consegue apagar. Pela sua contribuição no desenvolvimento das potencias humanas, sociais e espirituais, o educador, cientista e codificador da Doutrina Espírita ‘Allan Kardec’ será sempre uma das mais reluzentes nas constelações dos seres em missão na Terra. Uma existência inteira no século XIX voltada à educação do cidadão social e, depois, ao esclarecimento e consolo das almas perante uma realidade única, abrangente e comum a todos – a VIDA aqui, agora, ou amanhã, mais além. Espíritas, simpatizantes e até mesmo os ingênuos ou sistemáticos inimigos do Espiritismo deveriam assistir ao filme lançado em maio passado. Pode ser a porta de entrada para buscar restabelecer conceitos e conhecimento acerca da vida e obra de Kardec, ainda que com o propósito de refutá-lo com mais propriedade do que os críticos religiosos movidos por interesses vis ou os profissionais fúteis das mídias plenas das matérias de gaveta com palavras já prontas. Assim como um religioso protestante se encanta com um importante filme sobre Martinho Lutero, um católico se extasia com a biografia de seus vultos santificados, um ativista social se emociona com filmes de Martin Luther King, Gandhi ou Mandela, um filósofo com apego à verdade chora ao ver o drama de Giordano Bruno, um astrônomo se reconhece com a vida de Galileu Galilei, nós, os Espíritas convictos, sentimos também muita gratidão e dívida para com essa cinebiografia recente de Kardec. O filme tem a proeza de tratar um vulto histórico dentro de suas características humanas, com todos os dramas comuns à época em que o obscurantismo flertava novamente com a sociedade europeia, particularmente no berço das luzes culturais, a velha França. Esse Kardec, humano, que ‘veio ao mundo’ aos 53 anos, após o pseudônimo adotado pelo então prestigiado militante da busca científica do conhecimento Hippolyte Léon Denizard Rivail, tem receios, tem dúvidas, chora, se emociona, se frustra, sonha, se alegra, se indigna contras as injustiças sociais, se lança aos gestos de fraternidade para minimizar a dor do próximo e se completa quando alcança seus objetivos, maiores do que a si mesmo e de todos que o cercaram e o apoiaram em suas tarefas.Esse homem, muito além do mito e da sisudez dos retratos, tem no seu entorno pessoas preparadas e dispostas na compreensão da sua escolha de erigir um novo método científico, já que ele era egresso do século das luzes e da razão, para tratar das questões de um problema novo, mas o mesmo de todas as eras que se manifestava então com todo o vigor, nos salões e residências de vários países. Os ‘mortos’ estavam ouriçados e queriam dar notícias de sua sobrevivência. Exigiam o direito de falar e provocar uma nova revolução copérnica. Homem de observação, do ceticismo crítico, membro da Academia Científica de Paris, logo percebeu que na maior parte das vezes o maior inimigo das revelações de fenômenos até então não esclarecidos é o ‘espírito de sistema’ que não permite a ousadia, a criatividade e o rompimento com os paradigmas e ‘paradogmas’, seja do arcabouço materialista exacerbado, ou do sectarismo fanático das religiões predominantes. Métodos velhos não dariam conta de problemas novos. Por isso, cria uma técnica de abordagem de análise universal que coloca à prova se a resposta aos seus questionamentos que os espíritos das mais diferentes categorias davam por meio dos mais diferentes médiuns, em diferentes locais, poderia ser internalizada num corpo de doutrina como verdadeiro ou não. Isso teve um preço. Amigos da sociedade fecharam suas portas para Kardec. O clero religioso entra em conflito com suas propostas. A crítica comum confunde seu esforço científico com o charlatanismo frívolo dos salões. Sua saúde, sua qualidade de vida social e econômica, seus prazeres e deleites, são abandonados por uma causa maior e, o resto, já sabemos pelo legado que levaremos séculos para discernir com sabedoria, pois que Kardec ainda é um grande desconhecido mesmo entre os Espíritas.Voltando ao filme, os atores e atrizes dão um clima de formalidade comum à época retratada, porém ressalta-se a importância dada ao afeto e trocas entre os envolvidos. A esposa de Kardec, Amélie Gabrielle Boudet, também educadora e que com ele viveu por 37 anos até sua morte em 1869, e que depois continuou os esforços de manter sua obra viva e palpitante, mesmo sobre o peso do que era a sociedade preconceituosa para as mulheres atuantes, não é retratada como uma esposa ‘bela, recatada e do lar’. Antes, é alguém que participa, critica, acredita, apoia as decisões do marido, e, mesmo doce, é vigorosa e arregaça suas mangas na busca dos mesmos objetivos – mais luz sobre terra. Cumplicidade digna de alguém que se auto intitula ‘estrela gêmea’ numa das mais poéticas passagens de cena do casal.A burocracia vigente nas escolas manietadas pelo Estado que flertava com a religião dominante é bem retratada na omissão do diretor da escola onde Kardec postulava os princípios aprendidos com Pestalozzi, de quem fora discípulo. A liberdade que privam ao educador sincero e preparado, é um tesouro que se subtrai do futuro dos educandos.As médiuns crianças, amparadas por pais afetuosos que têm dentro de seu lar os fenômenos explodindo à flor da pele, parecem mais conscientes de seu papel perante as ocorrências que muitos dos adultos medianeiros que conhecemos. Há também os médiuns que queriam sobrepor seus interesses de autoprestigio sobre um resultado coletivo, no alcance limitado de sua visão personalista.Os editores que contribuíram com as obras espíritas inusitadas perante o mercado, com um olho no ideal e outro na manutenção dos negócios, avançando em fronteiras hospitaleiras e recuando quando seus flancos eram atacados.Os olhares desesperançados pelas lutas inglórias dos que campeiam pelas ruas de uma França em crise, esquecidos pelas instituições e governos, vitimados pela injustiça social que queria enterrar os ideais de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” que erigiram a Gália moderna angustiam por nos lembrar dos dramas sociais ainda tão latentes apesar de estarmos no século XXI. E Kardec se sobrepondo a tudo e a todos num esforço heroico de centralizar o surgimento de uma nova era para aqueles que têm olhos de ver. O filme surpreende pela estética, pelo conteúdo e pelo olhar ético do produtor e dos atores engajados. Baseado na biografia de 2013 do reconhecido e competente jornalista Marcel Souto Maior “Kardec – a Biografia’, o filme, como bem descreveu o intelectual e comunicador espírita Wilson Garcia, só não é mais perfeito porque não é interpretado no idioma original – o francês. Assistir ao filme Kardec, é aventurar-se nas escolhas da razão, mas, antes, no sentimento e na poesia de uma vida dedicada aos semelhantes e a um mundo mais solidário entre encarnados e desencarnados.

OS ESPÍRITAS E A EXIBIÇÃO DO FILME KARDEC

Em que se pese a atual recessão econômica de nosso País, que solapa os ânimos e coloca uma nação inteira em estado de alerta, fazendo cada família normal economizar cada quinhão de Conto de Réis, observando também que nesses momentos de crise, o alimento da alma – a arte e a cultura – são deixados de lado em detrimento dos alimentos materiais, há fatores preocupantes na audiência revelada sobre o filme. O último Censo do IBGE, de 2010, e com o desmonte atual não sabemos se o próximo previsto para o ano que vem será confiável, dá conta de que existem perto quatro milhões de espíritas declarados no País. São os adeptos da Doutrina Espírita codificada por Allan Kardec. Ainda segundo a pesquisa, os adeptos do espiritismo possuem as maiores proporções de pessoas com nível superior completo (31,5%) e taxa de alfabetização (98,6%), além das menores percentagens de indivíduos sem instrução (1,8%) e com ensino fundamental incompleto (15,0%). O espiritismo também foi uma das religiões que apresentaram crescimento (65%) desde o Censo realizado em 2000: passaram de 1,3% da população (2,3 milhões) em 2000 para 2% em 2010 (3,8 milhões).Em postagem recente em seu perfil pessoal de facebook, o diretor e produtor cinematográfico Oceano Vieira de Melo, esclarece que até 5 de junho de 2019, apenas 700 mil pessoas haviam assistido ao filme. Número confirmado na fanpage oficial da Sony Pictures. Num outro cenário econômico, o filme “Nosso Lar” levou 4.060 milhões de pessoas às salas de cinema, enquanto no mesmo ano, em 2010, Chico Xavier, o Filme, levou 3.400 milhões. Sendo Kardec o autor espírita mais publicado no Brasil e, a julgar pela quantidade de pessoas espíritas que frequentam congressos, seminários e eventos comemorativos, inclusive muitos eventos com custos dispendiosos e de logística cara, para verem sempre os mesmos expositores novos ou velhos, que têm resposta para tudo, mesclando suas crenças pessoais e alguns até incentivando doutrinas aleatórias à essência ética da Doutrina, nosso temor é que não seja só a crise que afasta os Espíritas do cinema para prestigiarem o filme. Que também seja o distanciamento do pensamento crítico, fundamentado e organizado de Kardec, que fala mais à razão do que ao sentimentalismo estéril. E revelo meu temor, em particular, é que assim como vários editores de livros espíritas, em obscuras reuniões mercadológicas, já ensaiaram publicar apenas os livros vendáveis, de apelo comercial como alguns romances superficiais, e descontinuar os livros históricos e profundos, de filosofia e ciência, pouco procurados pelas novas gerações de espíritas, percamos a oportunidade de avançarmos também nas propostas do cinema pela mesma pequenez de espírito. E, em se tratando da Sétima Arte, se desprestigiarmos o insigne patrono, quando acompanharemos nas telas outras biografias profundas e importantes dos predecessores, contemporâneos ou continuadores de Kardec e tantos outros luminares que ajudaram a desvendar o que antes eram mistérios proibidos de serem cogitados e ocultados a todos nós?

5 comentários em “KARDEC: O HOMEM POR TRÁS DO NOME…

  1. Apesar de não ser espírita me identifico profundamente com a doutrina. A matéria trouxe um sentimento que , vez por outra me rodeia: aprofundarme no estudo desta tão importante doutrina .
    Mais que um esclarecer perfeito sobre o filme o texto nos seduz a assistir o filme !
    Faltou apenas a informação de como fazê-lo.
    Ainda está nas telas ? Disponível em canais pagos ou netflix?
    O autor faz uma comparação de números com outros filmes, porém lembro que os outros títulos foram muito bem ” trabalhados” com um publicidade que chegou a atingir a “população” não espírita e trouxe uma curiosidade que fez essa população ir às salas de cinema . Talvez essa seja a falta. Confesso que só estou tomando conhecimento do filme através deste blog e pela discrição profunda do título , sinto-me impelida a assistir o mais breve possível.

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    1. Josevania, no texto, o diretor fala das dificuldades encontradas para manter o filme em cartaz. Entre elas, a dificuldade de alguns espiritas aceitarem essa visão mais real de Kardec, sem um teor de pregação e romance. Veja também que escrevi sobre a possibilidade de passar o filme em outras mídias. Vamos aguardar.

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  2. Excelente comentário. Ainda não consegui ver o filme mas estou ansiosa para ve-lo.
    Não concordo com os caminhos religiosos que estão sendo percorridos pelos dirigentes espíritas no Brasil. Este blog tem um objetivo louvável de renascer os ideais dos Espiritos na codificação organizada porvAllan Kardec.

    Curtido por 1 pessoa

  3. Excelente texto, é uma pena que muitos cinemas nacionais ainda dão preferência para outros filmes que julgam se de grande bilheteria ….estou muito querendo ver o filme…..
    Realmente o espiritismo está virando uma grande religião de dogmas e crendices, é uma grande tristeza para a doutrina onde Kardec se dedicou tanto para nos deixar.Mais sempre haverá alguém disposto a mudar esses dogmas, a fala não para certas coisas!!! Avante!!!!!

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