A CRENÇA E A CONVICÇÃO

Por Nelson Cardoso

Dizem que a história costuma se repetir. Para entendermos as manipulações que estão surgindo na doutrina espírita no Brasil, desde que aqui chegou,  vamos voltar no tempo. Voltar à criação de uma religião que trocou um homem revolucionário mas sem armas, Jesus de Nazaré, por um ser mitológico à serviço do poder vigente, alienando homens humildes, o Cristo.

Quando procuro entender a crença religiosa, busco na história, um fundamento, uma explicação. A fé dita cega, é a que não passa pela razão. Portanto não necessita de explicação lógica. Nesta, os argumentos são de pouca ou nenhuma valia. Vivendo no conforto desta fé, parece um problema à menos na vida. Assim como no sentido inverso da crença, ou seja, na visão materialista, pode ser uma boa opção para nada se questionar além do visível. Os dois lados são de segurança. Trazem certezas.  
Será o ponto final?

Há um tempo, entretanto, que o conforto começa à cansar. O espaço que se adequou viver, ficou pequeno.  Algo está começando a incomodar. Nesse tempo, pode-se de início, se negar as questões que surgem. Tenta-se responder com aparente confiança, que é um assunto resolvido. Entretanto o conforto não é mais tão confortável! 
A outra opção talvez seja sair à procura de respostas… Há insegurança.
Vale à pena?

Não! …Vai se ficando.

Vale a pena? Sim! Então, acabou o conforto. (Como se estivesse chovendo pelo teto onde se está coberto). É uma questão de tempo a chegada deste tempo: dias, anos, séculos, milênios. Com uma certeza: chegará!

E quando chegar, a procura é inevitável. 

Afinal, o que incomoda? A crença que tudo explica, ou a descrença que tudo despreza? Reconhece -se que a procura faz a humanidade progredir. Através dela, o homem busca novos conhecimentos e reconhece os seus próprios preconceitos, dogmas, fantasias, medos. Como se despindo. Desconstruindo-se.

Segue a  prazerosa e dolorosa reconstrução. Serão descobertas à alcançar! Quanto mais descobertas, mais consciência de que não há volta. Esta dura e difícil jornada, foi e é percorrida constantemente por pesquisadores, cientistas e filósofos.

Conhecendo seus estudos, as evidências, novos registros surgem, e vamos trilhando com eles pelo compartilhamento de informações! É o prazer de quem já chegou ao tempo da procura. 

Vamos pois, compartilhando o compartilhamento!

Na sequencia desta busca pelo conhecimento, entramos um pouco nas pesquisas ocorridas, já há séculos e hoje com novas informações, de como foram escritos os Evangelhos e demais livros que acabaram compondo o Novo Testamento,  chegando até aos dias atuais com tantos enxertos e exclusões. Em um tempo anterior, esses textos já eram duvidosos como relato de fatos ocorridos décadas antes, chegando aos seus escritores por tradição oral.

Depois de criados em algum momento, foram copiados  por amadores, com ideologias diversas.  Manipulados desde então, para servir à nova religião: o cristianismo.

Mesmo depois da criação da imprensa, continuaram mexendo naqueles textos! 

Onde estará a  “inspiração de Deus”, normalmente citada por adeptos da religião cristã, para se acreditar na total veracidade dos textos desta obra?

Dizem que o pior cego é aquele que não quer ver.

→Vejamos, pois. Vamos compreender um pouco mais essas alterações que chegam ao nível de uma ficção, mas divulgadas como fatos verídicos!

“O CONTEXTO TEOLÓGICO DA TRANSMISSÃO DOS TEXTOS”

LIVRO: “O QUE JESUS DISSE, O QUE JESUS NÃO DISSE” – BART EHRMAN.

“Durante os séculos II e III, contudo, não havia acordo quanto a um cânone — nem acordo quanto a uma teologia. Em vez disso, havia um amplo leque de diversidade: diversos grupos afirmando teologias diversas baseadas em diversos textos escritos, todos reivindicando terem sido escritos pelos apóstolos de Jesus.

Alguns desses grupos insistiam em que Jesus Cristo era o Filho único de Deus, que era, ao mesmo tempo, completamente humano e completamente divino; outros grupos insistiam em que Cristo era completamente humano, mas não era divino de todo; outros defendiam que ele era completamente divino, mas não integralmente humano; e outros ainda afirmavam que Jesus Cristo era as duas coisas — um ser divino (Cristo) e um ser humano (Jesus). Alguns desses grupos acreditavam que a morte de Cristo trouxe ao mundo a salvação; outros mantinham que a morte de Cristo nada teve a ver com a salvação deste mundo; outros grupos ainda insistiam em que Cristo nunca chegou a morrer realmente.

Por volta de fins do século IV, a maioria dos cristãos concordavam que o cânone devia incluir os quatro Evangelhos, Atos, as cartas de Paulo e um grupo de outras cartas como 1João e 1Pedro, além do Apocalipse de João. E quem copiou esses textos? Cristãos das próprias assembleias cristãs, que tinham íntima consciência e estavam completamente envolvidos com os debates sobre a identidade de Deus, a posição das escrituras judaicas, a natureza de Cristo e os efeitos de sua morte. O grupo que se estabeleceu como “ortodoxo” (o que significa que detinha o que ele mesmo considerava como a “reta crença”) determinou aquilo em que as gerações cristãs futuras acreditariam e que leriam como as Escrituras.

Essas são questões por fim resolvidas nos símbolos da fé [os credos] formulados e transmitidos até hoje, credos que insistem em que há “um só Senhor Jesus Cristo”, plenamente Deus e plenamente homem.”

É hora de atentarmos às publicações de livros por Espíritos famosos e idolatrados, através de médiuns do mesmo nível, sem questionamentos, como uma verdadeira mistificação. Estaremos levando o espiritismo brasileiro e latino, à criação de uma nova religião dogmática? Desejamos ser a repetição do cristianismo?

9 comentários em “A CRENÇA E A CONVICÇÃO

  1. Excelente Nelson, parabéns pela coragem e pela desconstrução de pensamentos tão fortes e presentes que faziam parte de nossas vidas. #Estamosjuntos. Morgana

    Curtido por 1 pessoa

  2. Nelson meu irmão…

    Parabéns pela construção desse canal de aprendizado…
    Mais um ponto de Luz para nosso publico espírita…

    Muita paz

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